Antes que Suma

Vizinhas mantêm algum resquício de passado em Jardim São Paulo

Por Jota | 31 de outubro de 2017

Estas duas construções vizinhas e semelhantes guardam resquícios da história do bairro de Jardim São Paulo, na Zona Oeste do Recife.

O bairro, que já começa a ser ocupado condomínios de torres – o “progresso” que acaba por orgulhar alguns – surgiu de um engenho de açúcar de nome Engenho São Paulo, como destaca texto da Fundação Joaquim Nabuco sobre a região.

Nas redondezas, destaca a Fundaj, outros engenhos também deram nomes aos seus bairros, como é o caso do Engenho do Meio, Engenho da Várzea, Engenho Caxangá e Engenho Uchôa. “Os primeiros moradores do engenho São Paulo foram os fundadores desse bairro”.

As duas casas, provavelmente construídas para ser residências, têm características físicas do início do século passado e estão, aparentemente bem preservadas.

Ambas contam com uma porta e três janelas. Os adornos e desenhos da platibanda (topo da fachada) apresentam similaridades.

Foram erguidas como se fossem espelho da outra. Uma varanda e um jardim acessado por um portão guardado por colunas, na casa da direita (em vermelho), marcam a diferença entre elas.

E embora a azul esteja necessitada de uma revitalizada na pintura, impossível não ser atraído pelo conjunto formado pelos dois imóveis.

As casas estão localizadas na esquina da Avenida Liberdade com a Rua Professor Henrique de Lucena e nas cercanias já é possível observar o surgimento de arranha-céus.

De volta às informações da Fundaj é possível se saber que Jardim São Paulo “ganhou corpo” em meados do século XX com a a construção de vilas.

“Em 3 de julho de 1948, o bairro, que, na época ainda era um loteamento, recebeu a ilustre visita do então Presidente Eurico Gaspar Dutra e sua esposa, para inaugurar a Vila Presidente Dutra.

Projetos como a construção das vilas Presidente Dutra e Carmela Dutra (homenagens respectivas ao Presidente da República e sua primeira-dama) tomaram forma e foram executados com financiamentos de instituições como a Caixa de Aposentadorias e Pensões do Nordeste Brasileiro (CAP)”.

Foi na década de 40, segundo o texto, que os lotes habitacionais começaram a se organizar, em meio a moradias de caráter rural, havendo, inclusive, algumas vacarias.

Dessa forma, em 1947, a Sociedade de Terrenos e Construções Limitada (Sotercol) iniciou a venda de lotes, tendo mais tarde que vender casas, dada à procura por esse tipo de imóvel na região.

A Fundaj destaca que nota publicada no Diário de Pernambuco, em 27 de maio de 1949, o bairro já contava, à época, com cerca de 500 casas e uma média de 2000 (dois mil) habitantes.

Além disso, nos jornais publicados na época, consta uma grande oferta de casas para alugar e terrenos para vender.

Até então, “o bairro era comparado a uma zona interiorana, longe de tudo”. Conforme o texto, problemas estruturais, como falta de iluminação, levava a um consequente problema de segurança e afetava o bairro.

“Mas, apesar das notícias negativas, justamente por manter esses “ares” de interior, com clima ameno, natureza vasta e rios limpos a correr por suas terras, que seu crescimento foi notório, atraindo pessoas que buscavam morar perto da cidade, mas que não abriam mão de um bem-estar longe de sua agitação”.

As duas casas mostradas no post cruzaram todos os períodos de ocupação do bairro e estão lá embelezando e garantindo alguma lembrança dos tempos que se foram em Jardim São Paulo.

Saiba mais sobre a história de Jardim São Paulo AQUI (Fundação Joaquim Nabuco)

OBS: A matéria, roteiro e giro pela Zona Oeste tiveram produção do jornalista Ronaldo Patrício e auxílio precioso de Ricardo e Rogério Patrício. O Antes que suma agradece!