Antes que Suma

Casas (muito poucas) mostram “fôlego” e vão resistindo nos Aflitos

Por Jota | 17 de novembro de 2017

Quer se deleitar com “casas-documentos” de como se morava em bairros classe média do Recife até por volta dos anos 1980? Dê um giro por vias menos movimentadas dos Aflitos.

Nas Ruas Amapá, Manuel de Carvalho Samuel Campelo, Senador Pedro Correia e Carneiro Vilela existem exemplares que cruzam os anos e ainda mantêm pequenas ilhas de um modo de vida “antigo”.

Há casas com muros baixos, jardins e árvores altas que formam conjuntos agradáveis e dão senhas como residências prezavam pelo verde, pela conexão com a rua, pela proximidade com a vizinhança.

Hoje, algumas estão seguem sendo moradias. Outras abrigam empreendimentos comerciais de segmentos variados -salões de beleza, consultórios, restaurantes.

A totalidade convive com o risco de ir ao chão para dar espaço a condomínios verticais que predominam na paisagem roubando horizontes e que restava de indícios de urbanismo e civilidade.

Portanto, quer ver um Recife que corre o risco de, em pouco tempo, existir somente em fotos de álbuns antigos e em sites na internet? Circule pelos Aflitos – assim como em Casa Forte, Parnamirim, Espinheiro, Casa Amarela, Encruzilhada, Rosarinho, Graças e Madalena.

Mas vá a pé. Ative a capacidade de observar e se permita se surpreender com platibandas ornamentadas, sacadas e varandas floridas, cobogós, azulejos, tetos em “camadas”, teias incríveis desenhadas em portões e grades de ferro.

Relembre abaixo do que o Ante que suma publicou sobre os Aflitos:

Nos Aflitos: o que será do lindo casarão da Rua Dr. José Maria?

Exemplar racionalista mantido intacto na Carneiro Vilela

Mais uma casa prontinha para desaparecer e “modernizar” o Recife

Três casas, três relíquias de um tempo em que flores e quintais eram essenciais às moradias

Embora mal conservado, residencial modernista é preciosidade nos Aflitos

Carente de melhorias, Santa Eugênia é exemplar de um tempo em que prédios-moradia dialogavam com a cidade