Antes que Suma

Casas-resistência ajudam a contar a história do Morro da Conceição

Por Jota | 9 de dezembro de 2016

O morro que é guardião da fé de tantos recifenses é também, de certo modo, um polo de resistência de um tipo de moradia muito comum nos altos da cidade.

Uma percorrida nas ruas-ladeiras que levam ao santuário e à imagem de Nossa Senhora da Conceição, na Zona Norte, nos permite observar que ainda existem construções não contaminadas pelos puxadinhos, lajes, cerâmicas e porcelanatos.

Naturalmente, o passar do tempo e a necessidade de mais espaço e/ou conforto obrigaram  e obrigam a execução de reformas e modernizações.

Mas, mesmo assim, observando bem, é possível encontrar exemplares de casas erguidas no início do século passado (1904), quando a capela gótica em homenagem à santa foi inaugurada e o local passou a atrair fiéis católicos.

De acordo com publicações da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), o Morro da Conceição foi ocupado por “gente humilde e desabrigada das regiões ribeirinhas comumente atingidas por enchentes do Rio Capibaribe”.

Além das casas, esse povo construiu no local uma história de resistência, cidadania, mobilização sócio-política, preservação de cultura e tradições e, claro, de fé católica.

O morro do Padre Reginaldo Veloso, do Centro de Reabilitação e Valorização da Criança (Cervac), do Clube do Samba e da maior festa religiosa de Pernambuco, guarda memória e identidade nas paredes, telhados, varandas, escadas, batentes, portas e janelas das suas moradias.

São casas simples, ajustadas ao relevo acidentado. A maior parte delas é acessada por uma escada, que faz a ligação da porta ou terraço ao nível da rua (ou seja, para cima ou para baixo, dependendo de que lado está localizada a construção).

Aproveitamos o dia em que a festa do morro tem o seu ápice, 8 de dezembro, para circular junto à multidão de devotos e “garimpar” e fotografar casas típicas dos altos recifenses.

Para conhecer mais sobre o Morro da Conceição e a festa religiosa em homenagem à santa CLIQUE AQUI (texto da Fundaj) e AQUI (pesquisa do professor antropólogo Joao Hélio Mendonça).