Antes que Suma

História e arquitetura preservadas no casario de Apipucos

Por Jota | 27 de julho de 2018

O bairro do Apipucos, na Zona Norte do Recife, guarda um dos mais representativos acervos arquitetônico do Recife.

Não bastassem o Solar de Santo Antônio, onde morou Gilberto Freyre e hoje sede da fundação com o nome escritor, e o Hotel de Apipucos, antes residência de Delmiro Gouveia e hoje pertence a Fundação Joaquim Nabuco, a região conta um casario impressionante.

Na altura da capela Nossa Senhora das Dores (ao lado do Açude de Apipucos), a Rua de Apipucos é tomada, nos dois lados, por fileiras de imóveis seculares, ainda em bom estado.

A maior parte está situada bem distante do asfalto, em terrenos elevados, um pouco acima do nível da via.

São casas geminadas e rodeadas de verde, que, sem muito esforço, nos remetem ao passado.

Há também um trecho onde construções igualmente preciosas e lindas estão no mesmo plano da rua. Algumas são moradias, outras abrigam estabelecimentos comerciais.

Nos recantos sombreados é possível apreciar a beleza de janelas, portas, pinturas e detalhes ornamentais das fachadas. O conjunto arquitetura + natureza formam um “universo paralelo” valoroso que merece ser visitado.

Segundo texto de 2003 da Fundaj sobre o bairro, Apipucos ou Apopucos como se escrevia antigamente é um nome de origem tupi (Apé-Puc), que significa caminho longo, para alguns, caminho que se divide, encruzilhada ou onde os caminhos se encontram, para outros.

Ainda de acordo com a Fundaj,  as terras onde se situa hoje o bairro foram um desdobramento do antigo engenho São Pantaleão do Monteiro.

“No final de 1577 parte dessas terras foi subdividida, surgindo o engenho Apipucos, de propriedade do colono Leonardo Pereira. Depois o engenho passou para Dona Jerônima de Almeida e desta para Gaspar de Mendonça, que era seu proprietário em 1630, na época da invasão holandesa”.

O documento também informa que em séculos passados a comunidade era procurada por causa do clima ameno e dos banhos no Capibaribe.

O interesse acabou acarretando melhorias nas estradas de acesso. O local recebeu inclusive a primeira companhia de transportes públicos do Recife.

Era explorada pelo inglês Thomas Sayle, em 1841, e depois por um morador de Apipucos, Cláudio Dubeux.

Eram diligências puxadas por cinco cavalos, com capacidade para aproximadamente 20 passageiros na parte interna e outros na parte de cima.

Ao longo dos tempos, o bairro contou com moradores ilustres, a exemplo do empresário  Delmiro Gouveia, que viveu no casarão onde funcionou, no século 18, o Hotel Apipucos (denominado de Vila Anunciada) e hoje abriga a Vila Digital (centro de documentação da Fundaj).

Também viveram em Apipucos o pintor Murillo LaGreca, o jornalista , o historiador Alfredo de Carvalho, a família de Burle Marx, parentes de Demócrito de Souza Filho e o sociólogo Gilberto Freyre, cuja residência conhecida como o Solar de Santo Antônio, hoje abriga a Fundação Gilberto Freyre.

De acordo com o texto da Fundação,  Apipucos, situa-se no norte do Recife e distante cerca de nove quilômetros do centro da cidade. Possui 1,2 quilômetros quadrados de área e é protegido pela lei municipal 13.975/1979.

AQUI e AQUI mais da história de Apipucos.

Relembre publicações relacionadas ao bairro:

Solar onde viveu Gilberto Freyre é joia da arquitetura herdada do ciclo açucareiro

Mais uma construção do bem preservado patrimônio da Fundaj

Casarão abriga Villa Digital que, finalmente, foi inaugurada na Fundaj