Antes que Suma

Prefeitura prometeu restaurar, mas antigo hospital segue abandonado

Por Jota | 1 de dezembro de 2015

Chegamos em dezembro. E neste mês, segundo a Prefeitura do Recife anunciou em agosto passado, devem ser iniciados os trabalhos de revitalização do pátio do chalé secular onde funcionou o hospital odontológico Magitot, na Várzea, Zona Oeste do Recife.

O restauro do imóvel propriamente dito não tem data para começar, mas o projeto da PCR é transformar a construção – classificada como Imóvel Especial de Preservação (IEP) em maio – num mercado que abrigará o comércio informal que hoje ocupa o entorno. As informações são do Diario de Pernambuco em matéria publicada de 1º de agosto deste ano.

Leia mais sobre o Magitot

O prédio de 110 anos está abandonado há cerca de 40 anos. E mesmo depois do anúncio de projeto, está entregue à deterioração. Os portões são mantidos abertos, o terreno em volta é tomado pelo mato e utilizado como “banheiro”. Os estragos que o tempo e a falta de cuidado deixaram – e continuam deixando – podem ser vistos nas fotos feitas no último domingo, dia 29.11.

A licitação do pátio externo está orçada em R$ 1,3 milhão, segundo o DP. O prédio fica na esquina da Praça Pinto Dâmaso com rua Azeredo Coutinho. O casarão é o único representante do estilo “chalé romântico” com dois pavimentos no Recife.

Antes de chegar à Várzea, em 1955, o Hospital Magitot funcionou em endereços em Casa Forte e na Madalena. Foi fundado pelo odontólogo Nelson de Albuquerque Melo, em 22 de maio de 1944.

Segundo informações da Fundação Joaquim Nabuco, mesmo sem as mesmas condições de antes, o hospital continuou a oferecer serviços de clínica dentária especializada, cirurgia bucomaxilofacial, além de atendimentos para doenças da boca. Com a morte do seu fundador e sem apoio institucional ou político, o hospital encerrou suas atividades no final da década de 1960.

Sua denominação foi uma homenagem ao médico francês, Dr. Émile Jean Magitot (1833-1897) que dedicou seus estudos ao desenvolvimento e estrutura dos dentes humanos, às doenças da boca e dentes e também à necrose óssea maxilar causada por fósforo (doença Magitot).

Após ser fechado, de acordo com informações da Fundaj (veja link), a área externa foi envolvida, aos poucos, por fiteiros, barracas de frutas e verduras.

A construção apresenta paredes, janelas e portas quebradas, não tem piso no andar térreo. Em 1992, um incêndio destruiu o telhado e o assoalho do primeiro pavimento. Mesmo em degradação pode ser recuperado. Na década de 1990, foi cogitado para ser Imóvel Especial de Preservação (IEP), mas não foi classificado.

A comunidade, entretanto, reivindicava (em 2013) junto a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), a restauração do prédio. A arquiteta da Fundarpe, Terezinha Pereira, com o apoio da Prefeitura do Recife e de alunos de arquitetura da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), projetou para o local um centro cultural voltado para a juventude onde “funcionariam cursos profissionalizantes, de produção artesanal, escolas de música, moda e gastronomia, além de restaurante”. A proposta foi lançada, mas como se viu, não foi aceita.

Como foi prometido pela Prefeitura, a Várzea espera pelas obras no pátio e, principalmente, pelo restauro do prédio.

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