Antes que Suma

Pequenos “condomínios” do século 20 resistem na Rua Benfica, na Madalena

Por Jota | 30 de abril de 2017

Na Madalena, nas cercanias do Clube Internacional, pequenos prédios residenciais ainda resistem em meio à ocupação descontrolada de terrenos e “espaço aéreo” por arranha-céus.

Na Rua Benfica, quase na Praça Euclides da Cunha, dois exemplares dos “aquarius” recifenses sobrevivem. São vizinhos, estão preservados, embora descuidados.

De todo modo, mantêm o charme que é se morar em prédio, sem deixar de dialogar ou de estar inserido na cidade –   aspecto que vem sendo esquecido pela arquitetura.

Os muros são baixos e não há guaritas-bunker. Ou seja, podem ser vistos da rua e permitem que a rua seja vista a partir deles.

Por conta da quantidade de edifícios gigantes que os cercam, uma vez que o bairro é um dos mais visados e descaracterizados pela construção civil nas últimas dias décadas, foram engolidos na paisagem. Nas fotos das fachadas, mais afastadas, o horizonte é de concreto.

Ambos têm três pavimentos. E, embora com linhas semelhantes, apresentam acabamentos distintos e diferenças nas varandas (do lado direito de quem olha da rua).

O branco possui cerâmica amarela emoldurada entre as janelas e chama-se Cristina. O cinza tem molduras de azulejo nas janelas, e, aparentemente, não tem nome.

Os dois prédios – erguidos certamente na primeira metade do século 20 –  juntam-se a outros que vêm sendo registrados pelo Antes que suma na Série Aquarius, numa alusão ao filme homônimo de Kléber Mendonça Filho.

A película trata de memórias e de resistência ao império das construtoras que, com anuência do poder público, demole cidades, histórias, afetos, vidas…

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