Antes que Suma

Benjamin Constant é resistência no verticalizado bairro da Torre

Por Jota | 7 de dezembro de 2017

Com térreo e dois pisos, o edifício Benjamin Constant, em rua do mesmo nome, na Torre, é uma raridade nesse bairro da Zona Norte.

Numa região cada vez mais verticalizada, esse pequeno residencial de azulejo e cobogós é resistência e prova de que a chegada de “prédios” na Torre foi comedida e humanizada.

O bairro que era endereço fábricas e, por consequência, de vilas operárias, passou por transformações profundas que mudaram a configuração urbana, o cotidiano e o horizonte da região.

Até 30 ou 40 anos atrás a Torre era tomada por casas simples. Haviam as geminadas – dentre elas as de vilas -, as recuadas e de muro baixo e jardins, e até outras mais sofisticadas, com colunas e adornos na fachada.

Mas a proximidade de áreas mais nobres fez com o olho ganancioso das construtoras crescesse para cima da Torres, principalmente depois do surgimento do viaduto/ponte.

De repente, Parnamirim, Casa Forte e Jaqueira estavam ali do lado. Então, nada mais “lógico” do expandir negócios e espigões para além da Zona Norte mais “raiz, digamos assim.

Casas hoje estão escassas, assim como pequenos edifícios de moradia, a exemplo do enfocado Benjamin Constant.

O prédio tem janelões – engolidas pelas grades necessárias – uma cortina de cobogó que clareia e ventila a escada que dá acesso aos dois andares.

Os limites laterais da fachada, a separação entre o térreo e o primeiro piso, assim como os cobogós da escada são emoldurados por uma faixa em alto relevo e em cor diferenciada.

A parede frontal dos apartamentos do térreo são revestidas por azulejos com estampa de bolinha (lembram uma cortina de miçangas, uma chuva de confetes).

Uma grade bem distante de algum valor estético separa o prédio da calçada, mas é bem provável que não é original. Deve substituir um muro baixo que um dia protegeu e fazia a conexão do prédio com a rua.

O Benjamim Constant é mais um “Aquarius” que o Antes que suma focaliza, fotografa e expõe.

Aquarius é nome e “personagem” de filme que trata de resistência e preservação da memória e afetos construídos num pequeno prédio na Avenida Boa Viagem. Foi dirigido por Kléber Mendonça Filho e tem Sônia Braga como protagonista.

Relembre outros exemplos mostrados no site:

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Curiosidade – quem o dono do nome que é homenageado pelo prédio e pela rua:

Benjamin Constant, 1833-1891) foi militar e político brasileiro. Foi o idealizador da expressão “Ordem e Progresso” da Bandeira brasileira, inspirado no ideal positivista do francês Augusto Comte, que pregava “O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”.

Teve importante papel no processo da Proclamação da República. Por proposta do positivista Demétrio Ribeiro, Benjamin recebeu o título de “Fundador da República Brasileira”.

Foi professor, doutor em matemática, e ciências físicas. Como militar, galgou vários postos, chegando a General de Brigada. Foi professor e depois diretor do Instituto dos Meninos Cegos, do Rio de Janeiro, durante 20 anos. Em sua homenagem, desde 1891 foi denominado “Instituto Benjamin Constant”. (www.ebiografia.com)