Antes que Suma

Pequenos edifícios resistem e contam a história de se “morar em prédio” no Recife

Por Jota | 18 de fevereiro de 2017

A tomada dos horizontes da Boa Vista e da Soledade por arranha-céus erguidos sem limite de gabarito motivou um post recente no Antes que suma.

O fenômeno tem descaracterizado e comprometido a identidade dos dois bairros. Isso sem falar na precarização da qualidade de vida que um espigão acarreta numa área estruturada para uma quantidade determinada de moradores.

Pois bem, diante da invasão insana – respaldada pelo descaso do poder público com uma região histórica e repleta de construções valorosas para a memória da cidade – reunimos uma série de prédios residenciais que existem sem interferir na paisagem nem agredir a história desse trecho do centro do Recife.

A “compilação” comprova que não existe intolerância a edifícios. Não se trata disso. Tem a ver com a falta de preocupação da Prefeitura em dar limites às construtoras.

A recente “liberação” de construções gigantes nas ruas Jose de Alencar, Ninfas, Soledade, Padre Inglês e na Avenida Conde da Boa Vista, é o que nos chama a atenção de nos indigna.

Os danos ao funcionamento do centro e à história do Recife estão acontecendo sem debate, esperneio ou algum tipo de protesto.

O elenco de prédios residenciais mostrado aqui revela que, no passado se construía sem oferecer prejuízos. Pelo contrário. Edifícios residenciais eram integrados à paisagem e dialogavam com a cidade.

O post focaliza quatro edificações erguidas entre as décadas de 30 e 60 do século XX nas Ruas do Sossego e Bispo Cardoso Ayres.

Além de serem exemplares de construções conectadas com o seu entorno, dão prova de resistência. São, podemos dizer, “irmãos” do Oceania – representado na ficção no filme Aquarius, de Kléber Mendonça Filho.

A ideia é mostrar, nesta e em publicações futuras, edifícios que sobrevivem ao tempo, ao assédios de construtoras e ao “progresso” que tanto comprometem identidade e qualidade de vida. Neste post, estão os prédios:

Lótus – Na Rua do Sossego: tem três pavimentos, dois blocos, varandas e linhas modernistas. A fachada foi alterada por conta do crescimento e revestimento do muro.

Tijuca – Na Rua do Sossego: conta com três pisos, cobogós e quase nenhuma alteração.

Marianna – Na Rua do Sossego, esquina com Frei Miguelinho: são dois blocos erguidos sobre colunas em V. Há varandas amplas. A recepção conta com azulejo e piso desenhado.

Vitória Régia – Na Rua Bispo Cardoso Ayres: são seis andares cercados de muito verde e seguros por pilotis gigantes.  Tem linhas modernistas que nos remetem a construções desenhadas pelo mestre Mario Russo.

Já escrevemos sobre prédios que reúne características de “Aquarius”. Relembre:

Prédio de “casas sobrepostas” é síntese de beleza na Quarenta e oito 

“Prédia” permanece de pé, um ano após ter sido esvaziado 

Irresistível Tupy, o mais charmoso residencial da Samuel Pinto 

Oceania: o lindo prédio do filme Aquarius é símbolo de resistência na Zona Sul 

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