Antes que Suma

Prédios residenciais do passado resistem na Encruzilhada e no Hipódromo

Por Jota | 5 de outubro de 2017

Novos exemplares de pequenos prédios residenciais para a Série Aquarius. Estes estão na Encruzilhada e no Hipódromo são bairros vizinhos da Zona Norte do Recife.

Nos últimos 20 anos, os dois bairros saíram da condição de áreas afastadas ou mesmo subúrbio e ganharam status de zona valorizada.

Claro que rótulos e conceitos são impostos pelo mercado, que precisa expandir seus negócios e erguer seus espigões em regiões ainda não saturadas.

E é óbvio que a chegada dos gigantescos condomínios verticais tem um preço. O mais visível é a descaracterização de ruas e recantos.

Casas antigas que faziam parte da identidade do bairro são derrubadas, assim como árvores de jardins e quintais.

Isso sem falar no aumento de fluxo de carros, sobrecarga de rede de esgotamento sanitário, desumanização de espaços de convivência.

Os dois bairros citados passam neste momento por perdas de acervo arquitetônico e de memória.

Ruas estão tomadas por arranha-céus e, no lugar de muros baixos, com espaços verdes, ganham paredões e guaritas que lembram as de prisões se segurança máxima.

Em suma, viram corredores de carro e armadilhas perfeitas para assaltos. Quem ousa andar a pé, fatalmente será agredido e roubado.

Por isso tudo é que vale sempre registrar exemplos de pequenos prédios residenciais que resistem ao surto do “progresso” verticalizador. E, principalmente, mostrar que edifícios de outrora tinham comunicação direta com a rua, com a cidade.

No post mostramos dois vizinhos da Rua Vicente Pinzón, na Encruzilhada, e um terceiro, bem maior, na esquina das Ruas Monte Alverne com a Coragem.

Os dois primeiros são construções simples. Um tem pilotis de dois andares. O outro é tipo caixão, com térreo e primeiro andar. Ambos lembram casas com mais de um piso.

O terceiro conta com apartamentos no térreo, tem também dois andares e um projeto de engenharia bem mais elaborado.

E, obviamente, pela resistência, os três merecem entrar na galeria “Aquarius”, aqui do Antes que suma.  Relembre outros posts que tratam de prédios do gênero:

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