Antes que Suma

Obra privada, Hora de brincar, de Abelardo da Hora, é preciosidade do Recife

Por Jota | 25 de janeiro de 2018

Instalado na parede de uma espécie de área de convivência na sobreloja do edifício Walfrido Antunes, esquina das Ruas do Riachuelo e Gervásio Pires, na Boa Vista, o painel Hora de Brincar, de Abelardo da Hora, é uma preciosidade que merece ser apreciada.

Esquecida num espaço pouco frequentado do condomínio (saído da prancheta de Waldecyr Pinto), a obra assinada por um dos mais importantes e produtivos artistas pernambucanos está mal cuidada, não atrai olhares, não integra roteiro artístico ou guia turístico da cidade. Ou seja, tem sua relevância ignorada e perdida.

Um típico exemplo de descaso com a arte, com os que assinaram trabalhos geniais, com a história e a identidade da cidade. O rico acervo deixado por Abelardo no Recife merecia ser tratado como joia rara.

As obras – esculturas, desenhos, gravuras e cerâmicas – poderiam ser exploradas como atração turística, como peças representativas da arte made in Pernambuco.

O painel desenhado sobre azulejo nos remete ao lúdico. Em “cena”, duas meninas aparecem brincando livres e descalças. O movimento dos traços nos permite “ver” a presença de vento envolvendo cabelos, vestidos, insetos, galhos, flores e folhas. Há vida e alegria na tela.

O quadro, segundo inúmeros referências é de 1957, mas ao lado da assinatura o autor indica que o trabalho é de 1962.

De acordo com a Enciclopédia Itaú Cultural, Abelardo Germano da Hora nasceu em São Lourenço da Mata, em 1924  Foi escultor, desenhista, gravador, ceramista, professor.

Cursou a Faculdade de Direito de Olinda, em Pernambuco. Posteriormente, frequentou o curso livre de escultura da Escola de Belas Artes de Recife, onde foi aluno de Casimiro Correia.

A partir da década de 1940, realizou vários trabalhos em cerâmica para o industrial Ricardo Brennand, com temas relacionados a frutas e motivos regionais. Abelardo morreu em 2014, aos 90 anos.

Saiba mais sobre a vida e obra de Abelardo da Hora, AQUI (Fundação Joaquim Nabuco) e AQUI  (Enciclopedia Itau Cultural). Sobre a localização de Hora de Brincar, AQUI (Recife Arte Pública). E, AQUI (Diario de Pernambuco), sobre a exposição que reuniu parte do acervo do artista em 2015. Já sobre o edifício Walfrido Antunes, AQUI (Prédios do Recife).

Relembre abaixo posts sobre painéis de rua expostos – e deteriorados – no Recife, inclusive mais um de Abelardo:

Painel de Abelardo da Hora permanece esquecido no centro 

Assinado por Brennand, painel sobre Batalha dos Guararapes está abandonado

Painéis de Corbiniano Lins estão depredados e pichados em Santo Amaro

Painel com elementos geométricos de concreto é esquecido na Boa Vista