Antes que Suma

Casa onde nasceu Manuel Bandeira segue sob risco e oferecida ao mercado

Por Jota | 16 de abril de 2017

A notícia da colocação à venda da casa onde nasceu Manuel Bandeira surgiu em abril de 2016, quando foram comemorados 130 anos do nascimento do poeta, nascido em 19 de abril de 1886.

Passado um ano, na semana em que se comemora os 131 anos do poeta e os 100 anos do lançamento do seu livro As Cinzas das Horas, o imóvel localizado Rua Joaquim Nabuco, nas Graças, continua com placa de aluguel.

A ideia de transformar a construção num centro cultural virou cinzas.

O primeiro andar ganhou alguma vida por, há cerca de um mês, estar ocupado por um café.

Mas a casa e sua relevância para a memória da cultural estadual permanecem entre o esquecimento e abandono.

Segundo informações de gente que atua no mercado, o térreo estaria para ser alugado para abrigar empreendimento de arte/cultura. Vamos torcer!

Tanto o primeiro andar (onde está o café), quanto o térreo estão descaracterizados. O piso é de cerâmica e o forro é de material plástico. Restam intactas (viva!) janelas, portas e fachada

Duas pequenas placas de bronze com informações sobre o poeta afixadas na parede que dá para o largo da antiga Fundição Capunga concorrem com os anúncios de aluguel e do cardápio do café.

A situação em que se encontra o local de nascimento de um do mais importantes poetas do país, só confirma que Pernambuco, o Recife em particular, primam por uma política desprezo pela sua história.

Personalidades que construíram e constroem a rica identidade cultural dessa terra são desrespeitadas.

A infeliz notícia sobre o destino incerto da casa de um dos nossos maiores poetas foi publicada pela Folha de Pernambuco no dia 13 de abril do ano passado.

O mais desalentador foi o fato de a matéria destacar que a lei de proteção do imóvel – que, como já informado, é particular -, oferece “brechas” que possibilitam intervenções.

Esta realidade foi admitida, na época, por representantes da prefeitura do Recife.

Veja abaixo, na reprodução de trecho do texto do jornal:

A região (onde está a casa de Manuel Bandeira) faz parte da Zona Especial de Preservação do Patrimônio Histórico Cultural (ZEPH-4) e todo o conjunto arquitetônico da área está sobre esta chancela.

Contudo, a diretora do departamento responsável (na Prefeitura do Recife), Lorena Veloso, explica que brechas na atual legislação ainda impedem um controle maior.

 “Ele não pode ser demolido ou submetido a qualquer tipo de reforma sem a autorização do município. No entanto, isso não impede que seus proprietários possam vendê-lo, alugá-lo ou executar qualquer tipo de atividade. Manter essa memória viva seria opcional”, explicou, sem esconder as carências na fiscalização.

“Já temos notícia de que foram realizadas alterações físicas, cabendo multa. Mas, por se tratar de imóvel privado, dependemos de autorização para ter acesso e averiguar”, disse”.

O departamento a que o texto se refere é a Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural do Recife.

A casa está localizada ao lado da antiga Fundição Capunga, a poucos metros da ponte do mesmo nome, na Rua Joaquim Nabuco, nas Graças (Zona Norte do Recife).

Grande parte das instalações da fundição hoje sedia a Faculdade Maurício de Nassau. A casa do poeta chegou a ser ocupada pela faculdade.

Há onze anos, quando se comemorava os 120 anos do nascimento de Bandeira, o site da Maurício de Nassau informava:

“O imóvel onde funcionava o restaurante Mafuá do Malungo será sede de um museu, com fotos e poemas de Manuel Bandeira fixados na parede, além de um centro de atendimento da Faculdade Maurício de Nassau, onde funcionará a Ouvidoria e uma central destinada ao atendimento de alunos do Programa Universidade Para Todos (Prouni),do Governo federal”. Veja no link abaixo:

Faculdade restaura Casa de Manuel Bandeira

Um ano depois, a faculdade anunciava a “reinauguração” da Casa de Manuel Bandeira. Leia:

Casa de Manuel Bandeira será reinaugurada

Em maio de 2015 o Antes que suma fez publicação tratando do conjunto da Capunga. Relembre:

TESTEMUNHA DA HISTÓRIA DAS GRAÇAS, ANTIGA SEDE DA FUNDIÇÃO CAPUNGA SEGUE PRESERVADA, MAS SEM BRILHO

 

Este ano o Espaço Pasárgada e a Fundação do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Pernambuco comemoram os 131 anos do poeta festejando os 100 anos do livro As cinzas das horas.

O Antes que suma e os projetos @avidanocentro, @calcadasqueandei, @dajaneladomeuonibus, recifedeantigamente e @sovequemvaiape participarão revisitando, com fotos que retratam memórias e afeto pela cidade, o Recife de Manuel Bandeira. Veja a programação e participe:

Semana Manuel Bandeira celebra 100 anos do livro “A Cinza das Horas”