Antes que Suma

Art Palácio é símbolo da decadência e da agressão à memória do centro

Por Jota | 23 de novembro de 2016

Esse prédio impressionante, mas decadente e abandonado, foi construído em 1937, inaugurado em  e nele funcionou até o início dos anos 1990 o cine Art-Palácio.

A construção teve assinatura do arquiteto paulista Rino Levi. Chamado de “racionalista dos trópicos” Levi teve carreira marcada pela busca de uma arquitetura moderna adequada ao Brasil.

O prédio localiza-se na outrora charmosa esquina das ruas da Palma e Matias de Albuquerque, no bairro de Santo Antônio.

Era uma atração irresistível que tinha como vizinhas movimentadas sorveterias e badaladas lojas de departamentos es, a exemplo da Sloper e Viana Leal.

Pintado de verde (desbotado), o prédio está em evidente deterioração. Cercado de comércio de rua, suas paredes servem de painel para cartazes com anúncios e as marquises de teto para gente sem teto.

Os traços originais modernistas, assim como pilastras, marquise, suporte para letreiro estão preservados. Não há sinais de descaracterização (alguém sabe ele é tombado? Porque se não for, merece ser. Com urgência).

Do trabalho de Levi se escreveu o seguinte: “apesar da inspiração racionalista, Levi produziu um modernismo sem ruptura, que utiliza a técnica e a ciência a serviço do bem-estar, seja ele o conforto térmico, acústico ou visual.
Sua arquitetura procurava integrar-se à paisagem e buscava uma relação interior-exterior com a mesma intensidade com que se preocupava em construir o espaço urbano” (Artigo e Fernando Serapião – site arcoweb).

O Wikipedia informa que o cinema entrou em atividade em 1940, foi administrado pelo grupo Art Filmes e era
considerado uma das melhores salas de exibição do Recife.  O último filme a ser exibido, em 1993, foi Instinto Selvagem.

Desde 1993, o prédio permanece sem utilização e entregue à ação deterioradora do tempo, como estão tantas outras construções – publicas e particulares – do centro do Recife.

Memória e história desrespeitadas e mortas um pouco a cada dia.

O esqueleto do Art Palácio está lá como testemunha de um tempo em que o Recife, assim como outras cidades do país, contava com um rede – lucrativa e charmosa – de cinemas no centro.

Também simboliza o sucateamento região central da cidade, estrategicamente planejado e executado pelo poder público para atender aos donos de shoppings e levar público aos seus “cinemas de plástico”.

Saiba mais sobre os cinemas de rua do Recife no site “cinema classico”: AQUI (a foto em preto e branco é da página) e ainda em publicações da Fundaj (AQUI)  e do blog Fiteiro AQUI.