Prédio da TV Jornal é tesouro da arquitetura e da história da televisão

Na Rua do Lima, em Santo Amaro, uma joia da arquitetura art déco (ou protomodernista, para alguns) sedia uma das mais tradicionais emissoras de TV de Pernambuco. O prédio da TV Jornal do Commercio é obra de arte.

Os inúmeros detalhes de revestimento, desenhos, volumes, saliências, curvas e reentrâncias se sobrepõem e se somam para resultar num conjunto harmonioso.

Portas e grades sui generis se associam e contribuem para o resultado que tanto agrada aos olhos de quem é afeito à associação arquitetura e beleza.

Aliás, o prédio merece ser apreciado com calma. A diversidade de elementos exposta exige tempo de observação – e admiração.

De propriedade do grupo João Carlos Paes Mendonça desde 1987, a TV Jornal, foi criada pelo grupo F. Pessoa de Queiroz em 1960. Ao longo desse tempo o prédio foi mantido bem preservado e funcional.

Departamentos e estúdios da TV (e da Rádio Jornal) estão instalados no endereço, que fica em frente à Igreja de Nossa Senhora da Piedade.

Informações de caderno especial veiculado pelo Jornal do Commercio por ocasião do aniversário de 50 anos da TV Jornal, em 2010, detalham:

“Inaugurada em 18 junho de 1960, a emissora foi construída num espaço de mais de 10 mil m².

O edifício chamava atenção pela imponência: acabamento em mármore, granito, cerâmica e esquadrias de alumínio, torre com 138 metros de altura, auditório com capacidade para mais de 400 pessoas.

Essa estrutura é preservada até hoje, na Rua Capitão Lima, em Santo Amaro, onde desde 2005, depois de uma reforma para ampliação do espaço, foram instalados todos os veículos de comunicação do Sistema Jornal do Commercio.

Durante essas cinco décadas de existência (na época, agora são 57), a TV Jornal conquistou não somente telespectadores, mas um público fiel que fazia questão de participar ao vivo dos programas de auditório. Esse tipo de programação, aliás, era o forte da emissora nos primeiros anos”.

O texto não aponta a autoria do projeto. Não existe consenso entre estudiosos, mas o prédio teria sido executado pelo engenheiro Hugo Guimarães.

revela o valor arquitetônico e histórico do prédio. Aliás, a TV abriu portas para muitos artistas “regionais” que acabaram ganhando reconhecimento nacional.

O caderno especial destaca a relevância da TV para o jornalismo e as artes em Pernambuco:

Parte da história de Pernambuco nesses últimos 50 anos (agora, 57) está guardada numa sala localizada no andar subterrâneo do prédio da TV Jornal.

São 11.800 rolos de filmes 8 mm com o registro do dia a dia daquele novo Recife, que nascia na década de 60. No acervo filmográfico, é possível encontrar as grandes coberturas dos primeiros anos da emissora. Imagens das ruas do Recife cortadas pelos ônibus elétricos.

O Galo da Madrugada, do jovem Enéas Freire, dando os primeiros passos rumo ao Livro dos Recordes. E ainda a explosão da Jovem Guarda, movimento que fazia a cabeça dos “brotos” naquela época.

Cenas do cotidiano da capital pernambucana do tempo em que a liberdade dos anos do governo Juscelino Kubitschek dava lugar à linha dura dos militares. 

Os pernambucanos souberam da prisão de Miguel Arraes pela tela da TV Jornal. Mas a época também era dos luxuosos programas de auditório. Noite de Black-tie, Você faz o show e Bossa dois.

Por esses palcos passaram artistas como Elis Regina, Roberto Carlos e Grande Otelo. Todos eternizados no arquivo da TV Jornal.

Saiba mais sobre a história da TV Jornal AQUI, no especial de 50 anosfeito pelo Jornal do Commercio.

Mais sobre art déco no Recife, AQUI  e sobre o bairro de Santo Amaro, AQUI (Fundação de Joaquim Nabuco)

 

Quem Somos

Josue_NogueiraJosué Nogueira, jornalista formado pela UFPE, com pós-graduação em História Contemporânea pela mesma universidade. Já atuei no Jornal do Commercio, Folha de Pernambuco e Diario de Pernambuco e assessorias de imprensa. Fui repórter e editor de Economia e repórter, blogueiro e colunista de Política. Desde novembro de 2014 edito, no Facebook, a página Antes que suma.

A comunidade virtual e também o site surgiram para documentar a existência de imóveis com valor arquitetônico e histórico que resistem ao descaso de proprietários, à desatenção do poder público e à ganância do mercado de Pernambuco, do Recife em especial. Também têm espaço aqui aqueles que estão mantidos em bom estado e funcionais, provando que o passar do anos não é sinônimo de inutilidade.

O trabalho, portanto, joga luz sobre belezas e peculiaridades de construções de estilos diversos, simples ou suntuosas, que testemunham o passar do tempo e são documentos da conexão do homem com a arquitetura. Sejam elas moradias, edificações públicas ou privadas, comerciais ou religiosos. Enfim, a razão de ser da página e do site é a busca pela valorização e preservação desse patrimônio tão desrespeitado.

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Onde denunciar

Caminhos para se denunciar agressões ao patrimônio e iniciar processo de tombamento ou transformação em Imóvel Especial de Preservação (Iep)

Denúncias de agressão a um imóvel que mereça ser preservado podem ser apresentadas à Diretoria de Proteção de Patrimônio Cultural do Recife, Promotoria do Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Ministério Público), Fundarpe e Iphan.

O ideal é explicitar a relevância histórico-cultural do imóvel e, se possível, um estudo nesse sentido.

A denúncia pode ser feita por particulares, mas se for pelo próprio Poder Público, mais força tem. A Diretoria de Proteção do Patrimônio Cultural do Recife(DPPC) faz esses estudos.

Pode-se também protocolar um pedido de tombamento, tanto na (Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) como Instituto do Patrimônio Histórico e Arstístico Nacionak – Iphan

 A lista dos imóveis que estão sendo objeto de estudo para poderem virar IEP fica na DPPC. Para se ter acesso a ela, pode-se tentar um pedido de informações. Não está claro que se os estudos ocorrem em sigilo ou não.

 IEP e tombamento são institutos distintos. Cada um tem procedimentos e consequências diferentes

Para ver como proceder em relação aos IEPs, é precico consultar a Lei Municipal 16.284/97.

 Para tombamento, o imóvel precisa ser federal ou estadual.

 Se a proteção for negada na esfera administrativa, ainda pode haver ação judicial para declarar um bem como IEP ou para tombá-lo.

 OBS: A lista dos IEPS está como anexo na própria lei que os institui, a Lei Municipal 16.284/97

 (Informações da promotora de Justiça Belize Câmara)

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Legislação

Leis que regulam uso do solo e estabelecem limites à construção carecem de “atualização” no Recife

O conjunto de leis e códigos que rege uso de solo e ocupação de espaços urbanos e estabelece limites para construções no Recife é marcado pela falta de atualização.

A lei do Uso do solo (1983):

É a lei básica que trata de como deve se dar a ocupação da cidade, fixa limites para a construção civil e dá garantias de preservação espaços urbanos.
Inicialmente era restritiva e garantia regras “civilizadas” na relação mercado e cidadania.
Mas, “modernizações” incluídas em 1998, a flexibilizaram e a ocupação desmedida dos espaços foi incentivada. As construções chegaram até as calçadas, sem um centímetro de recuo. Os muros cresceram e deram aspecto de fortaleza a edifícios residenciais e comerciais. Enfim, as construções se desvincularam da cidade.

http://www.recife.pe.gov.br/pr/secplanejamento/servicos/leis/lei16414.pdf

https://pt.scribd.com/doc/88578928/LEI-N-16-176-96-Lei-Ocupacao-Solo-Recife

Lei dos 12 Bairros (Lei Nº 16.719 /2001):

Criou a Área de Reestruturação Urbana – ARU – incluindo os bairros do Derby, Espinheiro, Graças, Aflitos, Jaqueira, Parnamirim, Santana, Casa Forte, Poço da Panela, Monteiro, Apipucos e parte do bairro Tamarineira e estabeleceu novas condições de uso do solo nas áreas.
Por meio dela, foram criadas restrições com a intenção de conter a ocupação desenfreada da Zona Norte e desestimular a acelerada verticalização na região.
Ficaram estabelecidos limitação de gabarito, recuos na área verticalizada, construção de calçadas, áreas verdes. Em suma, tentou-se retomar alguma mais conexão entre os edifícios e a cidade.

http://www.ebah.com.br/content/ABAAAA_K8AI/lei-reestruturacao-urbana-aru-lei-dos-12-bairros

Plano Diretor:

É o instituto máximo da ordenação da cidade e a partir dele o Poder Público deve se guiar no que diz respeito à aprovação de projetos imobiliários considerando o adensamento construtivo, a preservação de patrimônio histórico e arquitetônico, a preservação de bens naturais, artificiais e culturais da sociedade recifense, incluídos aqueles bens que são elementos característicos da paisagem (definição elaborada a partir de texto do grupo Direitos Humanos-Recife.

O Plano Diretor, no entanto, vem sendo desrespeitado e o Poder Público o fere frontalmente. Foi aprovado em 2008, mas não foi regulamentado por completo. Algumas partes foram submetidas à regulamentação, mas de forma isolada. A intenção, pelo menos aparentemente, foi beneficiar setores bem específicos. No mercado, esses ajustes ocasionais foram entendidos como facilitadores do projeto Novo Recife, comandado por consórcio de construtoras que quer erguer torres no Cais José Estelita. Também permitiram o surgimento de arranha-céus na área de proteção histórica da Boa Vista e deu o aval para o plano de ocupação da Vila Naval, em Santo Amaro.

http://www.recife.pe.gov.br/ESIG/documentos/Plano_Diretor/Lei%20Plano%20Diretor
%2017511-2008.htm

 
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