Antes que Suma

Prédio da TV Jornal é tesouro da arquitetura e da história da televisão

Por Jota | 17 de agosto de 2017

Na Rua do Lima, em Santo Amaro, uma joia da arquitetura art déco (ou protomodernista, para alguns) sedia uma das mais tradicionais emissoras de TV de Pernambuco. O prédio da TV Jornal do Commercio é obra de arte.

Os inúmeros detalhes de revestimento, desenhos, volumes, saliências, curvas e reentrâncias se sobrepõem e se somam para resultar num conjunto harmonioso.

Portas e grades sui generis se associam e contribuem para o resultado que tanto agrada aos olhos de quem é afeito à associação arquitetura e beleza.

Aliás, o prédio merece ser apreciado com calma. A diversidade de elementos exposta exige tempo de observação – e admiração.

De propriedade do grupo João Carlos Paes Mendonça desde 1987, a TV Jornal, foi criada pelo grupo F. Pessoa de Queiroz em 1960. Ao longo desse tempo o prédio foi mantido bem preservado e funcional.

Departamentos e estúdios da TV (e da Rádio Jornal) estão instalados no endereço, que fica em frente à Igreja de Nossa Senhora da Piedade.

Informações de caderno especial veiculado pelo Jornal do Commercio por ocasião do aniversário de 50 anos da TV Jornal, em 2010, detalham:

“Inaugurada em 18 junho de 1960, a emissora foi construída num espaço de mais de 10 mil m².

O edifício chamava atenção pela imponência: acabamento em mármore, granito, cerâmica e esquadrias de alumínio, torre com 138 metros de altura, auditório com capacidade para mais de 400 pessoas.

Essa estrutura é preservada até hoje, na Rua Capitão Lima, em Santo Amaro, onde desde 2005, depois de uma reforma para ampliação do espaço, foram instalados todos os veículos de comunicação do Sistema Jornal do Commercio.

Durante essas cinco décadas de existência (na época, agora são 57), a TV Jornal conquistou não somente telespectadores, mas um público fiel que fazia questão de participar ao vivo dos programas de auditório. Esse tipo de programação, aliás, era o forte da emissora nos primeiros anos”.

O texto não aponta a autoria do projeto. Não existe consenso entre estudiosos, mas o prédio teria sido executado pelo engenheiro Hugo Guimarães.

revela o valor arquitetônico e histórico do prédio. Aliás, a TV abriu portas para muitos artistas “regionais” que acabaram ganhando reconhecimento nacional.

O caderno especial destaca a relevância da TV para o jornalismo e as artes em Pernambuco:

Parte da história de Pernambuco nesses últimos 50 anos (agora, 57) está guardada numa sala localizada no andar subterrâneo do prédio da TV Jornal.

São 11.800 rolos de filmes 8 mm com o registro do dia a dia daquele novo Recife, que nascia na década de 60. No acervo filmográfico, é possível encontrar as grandes coberturas dos primeiros anos da emissora. Imagens das ruas do Recife cortadas pelos ônibus elétricos.

O Galo da Madrugada, do jovem Enéas Freire, dando os primeiros passos rumo ao Livro dos Recordes. E ainda a explosão da Jovem Guarda, movimento que fazia a cabeça dos “brotos” naquela época.

Cenas do cotidiano da capital pernambucana do tempo em que a liberdade dos anos do governo Juscelino Kubitschek dava lugar à linha dura dos militares. 

Os pernambucanos souberam da prisão de Miguel Arraes pela tela da TV Jornal. Mas a época também era dos luxuosos programas de auditório. Noite de Black-tie, Você faz o show e Bossa dois.

Por esses palcos passaram artistas como Elis Regina, Roberto Carlos e Grande Otelo. Todos eternizados no arquivo da TV Jornal.

Saiba mais sobre a história da TV Jornal AQUI, no especial de 50 anosfeito pelo Jornal do Commercio.

Mais sobre art déco no Recife, AQUI  e sobre o bairro de Santo Amaro, AQUI (Fundação de Joaquim Nabuco)