Antes que Suma

Palacete de Pombal: beleza “oculta” na Visconde de Suassuna

Por Jota | 5 de agosto de 2018

Esse casarão sensacional “escondido” na Avenida Visconde de Suassuna, em Santo Amaro, centro do Recife, chama atenção de quem passa a pé pela via.

Nele funciona o escritório da usina Serra Grande (com terras situadas em Alagoas, mas de propriedade de pernambucanos).

O imóvel é cercado por muros altos e o portão deixa ver pouco. As árvores do pátio e a fiação da rua também ajudam a ocultá-lo.

Mas mesmo o pouco que pode ser apreciado impressiona. As linhas arquitetônicas  tem um ar neoclássico. São três pisos, que se comunicam com o exterior por meio de inúmeras portas e janelas.

Algumas das janelas do primeiro andar contam com sacadas de ferro moldado. No último piso há um brasão no centro da platibanda.

Nos cumes centrais e laterais do teto pequeninas torres completam o conjunto, que pode ser apreciado também por trás, a partir de um dos estacionamento da Universidade Católica de Pernambuco.

No início deste ano, um placa afixada no muro da fachada pelo Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano informa que o casarão foi a residência do homem que dá nome à rua, Visconde de Suassuna.

Diz a placa que Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque foi deputado na Assembleia Geral do Império, presidente da Província de Pernambuco, em 1835, além de ministro e senador do Império.

A casa, informa o IAHGP, foi erguida pelo Visconde de Suassuna em 1853. Denominada de Palacete de Pombal, foi residência do político até 1880.

Ainda de acordo com as informações da placa, Francisco de Paula nasceu no município do Cabo de Santo Agostinho em 1793 e morreu no Recife em 1880.

Era 1º tenente do Regimento de Artilharia do Recife quando aderiu à Revolução Pernambucana de 1817. Com a derrocada do movimento, foi preso e enviado à Bahia.

O IAGHP destaca ainda que o Visconde, assim como representantes da elite político- econômica da Colônia e do Império, foi proprietário de engenhos de açúcar.

Passados 165 anos, o palacete ainda tem forte ligação com a cultura da cana-de-açúcar, uma vez que é sede de usina.

Segue bem preservado, lindo e funcional, embora desconectado do seu entorno. Apreciá-lo é missão difícil, fotografá-lo é tarefa árdua.

É preciso por a máquina ou celular acima do imenso muro. Pelo portão, há sempre um guarda – ajudados por sistema de câmaras – para impedir.

Quem sabe, um dia o muro seja reduzido e a beleza seja oferecida generosamente a quem passa. Tomara.

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