Antes que Suma

Roseira: dois pisos, simplicidade e beleza na Encruzilhada

Por Jota | 19 de março de 2018

Este pequenino edifício localizado na esquina da Rua Amaro Coutinho com a Rua Fortaleza, ao lado do badaladíssimo Bar do Tonhão, recebeu o apropriado nome de Roseira.

Se você ainda não reparou, não sabe o que perde. Pintado de branco, com janelas e grades azuis, o Roseira tem aspecto de casa.

É um tipo em moradia cada vez mais raro de prédio residencial que dialoga com a rua e soma para que o bairro da Encruzilhada resista à invasão desmedida de espigões.

O fenômeno tem atingido também o vizinho bairro do Rosarinho e vem devastando casas, engolindo horizontes, “uniformizando” paisagens e trazendo as complicações comuns à verticalização de áreas que foram urbanizadas a partir de um contexto de casas e de pequenos edifícios residenciais.

Sem planejamento, a invasão de arranha-céus compromete o trânsito, o esgotamento sanitário e, com a derrubada de árvores de quitais e jardins para dar lugar ao concreto, contribui para elevar a temperatura dos bairros e da cidade.

Dentro desta realidade, o Roseira é, portanto, um exemplo da resistência na completamente transformada da Zona Norte do Recife.

Possui jardins com flores e pequenas árvores, singelas entradas de acesso, paredes com cobogós, tetos com águas em alturas.

Quando circular pelas bandas do Tonhão, bote os olhos no edifício Roseira. É uma testemunha do tempo em que residir em prédio não significava viver em bunkers desconectados da cidade.

O Roseira mantém sua poesia para além do nome.

Veja abaixo, publicações do Antes que suma que tratam de pequenos prédios residenciais que desafiam o tempo:

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