Antes que Suma

Amplitudes e flores dos anos 70 em Jardim Atlântico, Olinda

Por Jota | 4 de dezembro de 2017

Casa como sinônimo de acolhimento, de bem-estar. É este o “conceito” desta beleza de construção mostrada por dentro pelo Antes que suma!

Não sem sentido, trata-se de uma casa construída especialmente para abrigar um casal em início de vida a dois. Em cada ambiente se capta carinho, aconchego.

Erguida nos anos 1960, foi, por décadas, o lar de uma família de cinco pessoas – pai, mãe e três filhas.

Com o passar do tempo, foi, naturalmente, se esvaziando. As filhas foram casando, seguindo seus caminhos.

A casa ficou inevitavelmente “grande” e os pais acabaram se mudando para um apartamento.

Mas, o proprietário tratou de manter o imóvel bem preservado, se atentando para as características arquitetônicas que possibilitam espaços amplos, arejados e com senso estético apurado.

Para a sua sorte, os inquilinos que agora ocupam a construção são também entusiastas da manutenção e valorização da originalidade das linhas, revestimentos e materiais de “época”.

E, ainda mais satisfatório, os novos habitantes, são também um casal em início de estrada que, mesmo sendo da geração prédio/condomínio, optou por uma casa e planeja fixar raízes no endereço.

Tanto que em pouco tempo morando no local deram sua cara aos ambientes e “providenciaram” um novo sentindo ao quintal que deixou de ser “depósito” de objetos descartados para se tornar um jardim cheio de charme e de possibilidades.

A casa é um monumento ao bem-viver! Terraços, salas, quartos, banheiros, lavabos e até a garagem são provas de que a arquitetura pode ser sinônimo de conforto e de que simplicidade e sofisticação podem andar juntas.

Obviamente que uma casa dos anos 60 época bem preservada tem um simbolismo muito forte para quem nasceu naquele década e viveu a infância nos anos 1970.

Os combogós, os azulejos, os pisos, as janelas, as portas, o pé direito gigante, tudo remete ao passado e não há como impedir o surgimento lembranças boas, o que chamam hoje de memória afetiva.

Impossível não recordar de aniversários, de jogos de ping-pong, almoços, de “bancas” de estudos, das festas dançantes ao som da discothéque, de Sidney Magal e The Fevers.

As flores dos azulejos e as louças do banheiros e do lavabo são um capítulo à parte. Impressionante como elementos que “aparentemente” são inanimados ganham alma na nossa memória.

A casa em questão fica no bairro de Jardim Atlântico, em Olinda e é uma das muitas que ainda estão preservadas naquela região.

Arranha-céus já rondam o bairro mas ainda há exemplares de casas que atravessam décadas guardando histórias de vidas, de “verdes anos”, de passado.

Imóveis que acumulam camadas de memórias que agora vão se renovando com a chegada de novos moradores, novos sonhos, novos planos, novas vidas a serem vividas.

Longa vida ao casal gente fina que começa a escrever sua história nesta casa “de época” (uma época incrível)!!