Antes que Suma

Entramos na sede do BPChoque, testemunha viva do passado luxuoso da Madalena

Por Jota | 29 de maio de 2017

O casarão de numero 198, na rua Benfica, na Madalena, integra o conjunto de palacetes que testemunham o passado de luxo dos que tinham condições de residir nas proximidades do Capibaribe.

Segundo matéria do Jornal do Commercio de 2015, “os casarões de portões de ferro, quintais generosos e fachadas simétricas típicas da arquitetura neoclássica surgiram com o loteamento das terras do Engenho da Madalena, a partir de 1850”.

De acordo com arquiteto e pesquisador José Luiz Mota Menezes, ouvido pelo JC, “eram os grandes sítios onde as famílias ricas veraneavam, às margens do Rio Capibaribe”.

A imensa construção que há mais de 35 anos abriga o Batalhão da Polícia de Choque – Batalhão Mathias de Albuquerque – é um dos exemplares que guarda muito da história da cidade.

O Antes que suma visitou o imóvel, que é mais um a fazer parte da série Por dentro.

De acordo com o JC, em 1859, quando Dom Pedro II (1825-1891) visitou o Nordeste, foi no casarão onde a imperatriz Tereza Cristina (1822-1889) ficou hospedada.

No século 19, a região era conhecida como Passagem da Madalena. Hoje, situada entre as pontes do Derby e do Sport, a área, após cruzar o século 20, se mantém valorizada e preservada.

O casarão 198, conforme publicação do próprio BPChoque, “pertenceu à família Rosa e Silva, de grande influência política e patrimonial, até o ano de 1950, quando foi adquirida pela Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco.

A negociação aconteceu entre Luiz Tavares, um dos professores-fundadores da FCMP, e os Rosa e Silva, no Rio de Janeiro. A compra foi fechada em 1 milhão e 500 mil cruzeiros velhos.

Segundo informações do BPChoque, a imperatriz hospedou-se no prédio onde funcionou a Casa de Saúde Santa Inês e não na edificação central.

Erguido em igual estilo, o prédio da unidade de saúde compõe, com mais um terceiro, o conjunto de construções do terreno. A área total tem 6,5 mil metros quadrados. Destes, 2,4 mil metros quadrados são de área construída.

Em 1966, a FCMP e a Casa de Saúde desocuparam os imóveis que acabaram adquiridos pelo Governo do Estado. O casarão passou, então, a abrigar o Colégio Militar. Em 1979, porém, foi restituído pelo Exército ao Estado.

Criado em 1980, o BPChoque está sediado desde lá no conjunto de casarões que “respondem” pelo número 198.

Nesses 37 anos, ajustes foram feitos nos prédios para abrigar todos departamentos e serviços da corporação. As linhas arquitetônicas, piso, teto, janelas e portas, no entanto, estão resguardados.

De acordo com o Major Noronha, subcomandante do batalhão, a corporação sempre teve e tem o cuidado de preservar as construções.

Os espaços internos, por exemplo, foram separados por meio de divisórias removíveis de modo a não interferir nas linhas originais.

De acordo com ele, que abriu as portas do Batalhão ao Antes que suma, a luta travada no momento é a recuperação do piso de madeira do primeiro andar. “Temos este projeto e estamos em busca de apoio”.

Para acomodar os cerca de 500 do BPChoque foram erguidos alojamentos, mas distanciados dos prédios antigos. “Sabemos do valor histórico e arquitetônico e temos a preservação como prioridade”, destaca major Noronha.

O casarão central conta com dez janelas e duas portas. Uma escada monumental de madeira e corrimão sustentado por ferro liga os dois pisos. No primeiro andar, a fachada soma dez portas de madeira e vidro, “ligadas” por uma sacada única, em ferro.

O piso é de madeira e as portas internas são adornadas por passagens de ar confeccionadas em ferro moldado.

Saiba mais sobre o BPChoque AQUI. Já sobre os casarões da Rua Benfica, AQUI (JC). Mais sobre o bairro da Madalena, pode clicar AQUI, em texto da Fundaj.

OBS: pauta sugerida e viabilizada pela jornalista Ana Aragão.