Antes que Suma

Embora mal conservado, residencial modernista é preciosidade nos Aflitos

Por Jota | 27 de outubro de 2017

Na esquina das Ruas Samuel Campelo com Manuel de Carvalho, nos Aflitos, um pequeno prédio residencial construído tempos atrás merece atenção.

Primeiro por ser um exemplar modernista que, embora mal conservado, mantém, pelo menos externamente, linhas e características originais.

Segundo, porque consegue “sobreviver” numa região em que proliferam condomínios verticalizados – de 15 andares em diante – e padronizados.

Terceiro, porque está ocupado, funcional e guarda pequenas belezas e sinais de diálogo com a rua no jardim, nos cobogós, nas varandas.

E neste momento em que as duas casas modernistas da Avenida Rosa e Silva, no vizinho bairro das Graças, estão depredadas e sob risco de desaparecer, é bom observar que este exemplar moderno resiste.

Estilo que encontrou espaço em Pernambuco em meados do século XX, o modernismo teve seus pilares formatados na brasilidade defendida pela Semana de Arte de 1922.

Segundo o site Discutindo arquitetura, o Modernismo foi introduzido no Brasil através da atuação e influência de arquitetos estrangeiros adeptos do movimento, embora tenham sido arquitetos brasileiros, como Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, que mais tarde tornaram este estilo conhecido e aceito.

Foi o arquiteto russo Gregori Warchavchik quem projetou a “Casa Modernista” (1929-1930), a primeira casa em estilo Moderno construída em São Paulo.

Os arquitetos Modernistas buscavam o racionalismo e funcionalismo em seus projetos, sendo que as obras deste estilo apresentavam como características comuns formas geométricas definidas, sem ornamentos; separação entre estrutura e vedação; uso de pilotis a fim de liberar o espaço sob o edifício; panos de vidro contínuos nas fachadas ao invés de janelas tradicionais; integração da arquitetura com o entorno pelo paisagismo, e com as outras artes plásticas através do emprego de painéis de azulejo decorados, murais e esculturas.

Tudo isso era realçado com a associação de elementos da arquitetura brasileira (coberta inclinada, grandes terraços, empenas cegas, paredes de cobogó, venezianas de alumínio etc.).

No prédio dos Aflitos, pode-se observar inclinações, cobogós, azulejos e janelas de vidro. Dependendo de onde se olha, ainda é possível apreciar suas linhas. A torcida é para que o pequeno residencial de “grife” seja remoçado sem perder características.

Leia mais sobre modernismo e racionalismo AQUI e AQUI.

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