Antes que Suma

Chalés ajudam a contar a história de Tejipió e do Sancho

Por Jota | 10 de outubro de 2017

Chalés existentes em ruas que marcam a fronteira dos bairros de Tejipió e Sancho, na Zona Oeste do Recife, são testemunhas de um passado rico e relevante para a história de Pernambuco.

A região já era ocupada ainda antes da ocupação holandesa, no século XVII. Como revela texto da Fundação Joaquim Nabuco, o que hoje é o bairro do Tejipió era engenho naqueles tempos.

“Depois de 1630, o engenho foi abandonado por seus proprietários e confiscado pelos holandeses, sendo vendido como uma grande fazenda a João Fernandes Vieira (um dos heróis da Insurreição Pernambucana – veja AQUI), em 1645. Ele, por sua vez, construiu uma bela casa para residir”.

“Quando foi deflagrada a luta contra os holandeses, acampou em Tejipió a tropa vinda da Bahia, sob o comando dos mestres-de-campo André Vidal de Negreiros e Martin Afonso Moreno. Essa tropa tinha se juntado ao exército independente pernambucano, na povoação do Cabo de Santo Agostinho. Foi de Tejipió, inclusive, que partiram muitos soldados valorosos para a jornada que resultou na batalha das Tabocas”.

O texto prossegue informando que em meados do século XVIII, das ruínas da vivenda de João Fernandes Vieira, erigiu-se uma capela sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário.

“De acordo com uma placa fixada na soleira da porta principal, a capela situava-se a 21,45m acima do nível médio do mar. Esse templo deu sepultura, em seu cemitério privativo, aos membros da igreja e aos filhos (até a idade de sete anos), de João Fernandes Vieira, estendendo o benefício às pessoas pobres”.

Em 1819, mediante um aterro, o governador de Pernambuco, Luís do Rego Barreto, construiu uma estrada para Tejipió. Isso veio facilitar a comunicação do povoado com a cidade do Recife. A primeira estrada de rodagem, porém, que ia de Afogados até Areias, só foi construída em 1836.

Tanto Tejipió quanto o vizinho Sancho eram localidades com boa cobertura vegetal e cortadas por rios.

As duas características, somadas ao clima ameno, formavam um contexto bem apropriado à existência de chácaras e casas de repouso.

Sobre o Sancho especificamente, a Fundação Joaquim Nabuco informa que o nome foi herdado do antigo dono de um belo sítio que se chamava João Ribeiro Sanches.

“Antigamente as famílias visitavam esse local cercado de árvores e vários tipos de vegetação onde se podia respirar um ar puro e saudável. Localizado em um pequeno morro, proporcionava aos visitantes o descanso em um ambiente tranquilo”.

E o texto continua destacando que “justamente por causa do agradável clima construíram ali uma casa de repouso, que foi utilizada pelos americanos durante a Segunda Guerra Mundial para convalescência de militares”.

Com o final da referida Guerra, a Casa de repouso se tornou o Hospital Otávio de Freitas e passou a ser utilizado para o tratamento de doentes com tuberculose, porém, a população se referia a ele citando o nome do bairro que começou assim a ficar conhecido.

Em 1873 foi autorizada a construção da antiga estação ferroviária “Great Western” que ligaria o Recife a Limoeiro. A nova ferrovia facilitava o transporte de passageiros e cargas, ajudando o crescimento de Pernambuco e do Nordeste.

Nessa época se deu também o crescimento do bairro Sancho com a construção de casas em grandes sítios como Vilachan, Colaço Leite, Pessoa, Gibson, entre outros.

Em 1950 a estação encerrou suas atividades no Brasil e foi sucedida pela Rede Ferroviária do Nordeste, hoje Rede Ferroviária Federal S. A. (RFFSA).

Apesar das novas construções e condomínios que modificaram o antigo cenário, o bairro guarda vestígios da época em que se podia respirar ar puro em um ambiente tranquilo.

O que o Antes que suma mostra neste post são parte deste vestígio. Os chalés estão localizados em terrenos amplos e arborizados o que nos permite concluir que foram casas de sítios de gente abastada.

Seguindo a galeria abaixo, as nove primeiras fotos são de duas construções situadas na Avenida Padre Ibiapina, em Tejipió. As outras 24 são de um chalé situado a poucos metros dos dois primeiros, na Rua João Ferreira, já no Sancho.

Saiba mais sobre a história de Tejipió AQUI (Fundaj) e do Sancho, AQUI (Fundaj).

OBS: A matéria, roteiro e giro pelos dois bairros tiveram produção do jornalista Ronaldo Patrício e auxílio precioso de Ricardo e Rogério Patrício. O Antes que suma agradece!