Antes que Suma

Casas modernistas da Rosa e Silva têm projeto de restauração

Por Jota | 29 de junho de 2018

Notícia boa chegou até o Antes que suma. Um pedido de autorização de uso de fotos do site pelo arquiteto José Eduardo Lucena Tinoco acendeu a luz.

O descaso que permitiu que as as casas modernistas da Avenida Rosa e Silva virassem ruínas parece começar a ter fim. Isso porque um projeto de restauração dos imóveis começa a ser ganhar corpo.

A coordenação dos trabalhos está a cargo Curso de Restauro do Centro de Estudos Avançados da Conservação Integrada (CECI).

Tinoco, que é integrante do CECI, nos enviou mensagem informando ser o arquiteto especialista contratado para elaborar o projeto e, por conta, disso pedia permissão para usar fotos das casas publicadas no site.

O Antes que suma não só autoriza como comemora o fato de poder colaborar, ainda que indiretamente, com o projeto. E torce para que as agressões que desfiguraram os imóveis sejam reparadas.

Na sua conta no Instagram, o CECI publicou:

“Hoje (29.06.18) demos início ao projeto de restauro das Casas Geminadas da Av. Rosa e Silva, de Augusto Reynaldo, com o levantamento e identificação dos materiais que podem ser reaproveitados. As casas foram classificadas como IEP (Imóveis Especiais de Preservação ), por suas contribuições ao patrimônio moderno, e vem sofrendo um contínuo processo de descaracterização, arrematado pela destruição do telhado. As ações apenas visam devolver a integridade do bem e seu aspecto original”.

As casas, de número 625 e 639, foram erguidas em 1958 e têm projeto original assinado pelo arquiteto Augusto Reynaldo.

Imóveis Especiais de Preservação (IEPs), as modernistas geminadas estão “protegidas” por tapumes desde fevereiro, depois de inúmeros episódios de depredação decorrentes do abandono – aparentemente proposital.

A recuperação foi ordenada pela Justiça a partir de ação movida pela Prefeitura da Cidade do Recife (PCR), através da Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural – DPPC.

Todo o processo de abandono, agressão, desrespeito à lei e descaso com as regras de preservação dos IEPs foi acompanhado pelo Antes que suma. Relembre abaixo:

Protesto contra destruição das casas modernistas da Rosa e Silva

Casas modernistas da Rosa e Silva estão abandonadas e depredadas

Casas modernistas da Rosa e Silva: descaracterizadas e vazias 

Reforma em casa modernista é embargada na Rosa e Silva

EMBARGO DE CASA MODERNISTA PROSSEGUE E TAPUME DESAPARECE

PREFEITURA EMBARGOU
CASA MODERNISTA DA ROSA E SILVA TEM JARDIM ESCAVADO, MURO E GRADES DERRUBADOS E ATÉ “OBRA” NO TÉRREO

NAS GRAÇAS
TRANSFORMADA NA FACHADA E INTERNAMENTE, CASA MODERNISTA DA ROSA E SILVA É SÍMBOLO DE DESRESPEITO À LEI

O site do CECI informa, em matéria publicada nesta quinta (28.06.18):

“O Curso Gestão de Restauro/CECI, através da coordenação técnica e de algumas alunas bolsistas-estagiárias assumiram a responsabilidade pela elaboração do Projeto de Restauração das Casas Modernistas, localizadas à Avenida Rosa e Silva, nos 625 e 639, no bairro das Graças, cidade do Recife (Pernambuco).

Trata-se de um grande desafio, pois o CECI não teve uma experiência prática com edificações de valor cultural do período Modernista da Arquitetura desde a realização do primeiro Curso Latino Americano sobre a Conservação da Arquitetura Moderna – MARC/AL, em 2009.

O projeto é consequência das ações da Prefeitura da Cidade do Recife – PCR, através da Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural – DPPC, órgão integrante da Secretaria de Planejamento Urbano (SEPLAN), junto ao proprietário do imóvel.

Uma reunião foi realizada na sede da DPPC (25 jun. 2018), com os arquitetos do CECI/Curso Gestão de Restauro e arquitetas da Municipalidade para o esclarecimento quanto às diretrizes que devem ser observadas no projeto. Participaram pela Prefeitura: Lorena Veloso (arquiteta), chefe da DPPC, Marília Dantas (advogada), Cicilia Melo (arquiteta), Maria Cecília Vargas (arquiteta); participaram pela empresa Jorge E. L. Tinoco Restauração e CECI/Curso Gestão de Restauro: Jorge Eduardo Lucena Tinoco (arquiteto), e Thalita Oliveira e Cíntia Guedes (arquitetas).

O projeto vem num momento em que as casas se encontram num processo de arruinamento, iniciado pouco após a venda dos imóveis que culminou com o ingresso de processo judicial iniciado pela Prefeitura. O processo deverá contemplar o resgate das características arquitetônicas e da paisagem valoradas pela DPPC para que o imóvel consiga explorar comercialmente a edificação aliada a conservação do patrimônio como retorno dos investimentos. Todo o processo de decaimento pode ser visto a partir de 2015 nas mídias e redes sociais com as notícias sobre as perdas dos espaços internos, externos e das características arquitetônicas modernistas.

O coordenador técnico do Curso Gestão de Restauro disse que há um grande interesse acadêmico neste projeto e que serão produzidos estudos e análises com vistas aferir as possibilidades de conciliação das teorias do restauro da Arquitetura Moderna nas práticas da vida real da Gestão Pública do Patrimônio Cultural e dos interesses do Mercado Imobiliário”.

As fotos da galeria foram copiadas da pesquisa “Augusto Reynaldo, Resgate de uma obra”, trabalho de conclusão de graduação de Mariana G. Reynaldo Alves, no Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPE.

Por terem sido retiradas da internet, têm baixa qualidade, mas valem para mostrar como as casas eram sensacionais quando bem preservadas.