Antes que Suma

Casas alemãs seduzem no Recife tropical

Por Jota | 9 de março de 2018

Estas casas sempre impressionam positivamente e despertam a curiosidade de muita gente. Um post com alguma delas no Instagram ou Facebook gera inúmeros comentários, invariavelmente elogiosos.

Há quem expresse surpresa,  desejo de conhecer, de comprar ou de morar nos imóveis. Enfim, o encantamento é evidente.

E por que isso acontece? Talvez porque, simplesmente, são construções que agradam aos olhos. Talvez porque despertam memórias afetivas, uma vez que remetem a ilustrações de livros de contos de fada. Quem sabe?

O certo é que algumas delas sobrevivem por aí, driblando o mercado e “enfeitando” o Recife. Ainda bem. Há exemplares em Santo Amaro, Boa Vista, Derby, Aflitos, Espinheiro.

Trata-se de casas caracterizadas por tetos “pontiagudos” e fachadas cobertas com adornos de “faixas” em alto relevo dispostas paralelamente ou em cruzamentos, formando treliças e desenhos geométricas.

São construções automaticamente associadas a regiões frias da Europa (à Alemanha especialmente) e a estados do Sul do Brasil, onde a colonização alemã tem fortes marcas.

Em suma, as casas deste post têm influência germânica na sua arquitetura. E, pelo menos aparentemente, permanecem em bom estado.

Muitas sediam empresas, algumas são moradias e outras estão vazias e oferecidas para aluguel.

Trata-se de construções erguidas para serem residências confortáveis, com térreo e primeiro andar e tetos com diversas águas. Estão fincadas em grandes terrenos e dispõem de amplos jardins e quintais.

Muito provavelmente foram construídas na primeira metade do século XX.

Não encontrei informações capazes de justificar ou explicar a presença dos traços germânicos no Recife “quente e úmido”.

De todo modo, a cidade conta com uma agremiação social denominada de Clube Alemão de Pernambuco, cuja sede, no bairro do Parnamirim, é também marcada por traços germânicos.

A entidade, todavia, não dispõe de site. Um texto da Câmara do Recife de 2010, quando o clube recebeu uma homenagem pelos seus 90 anos de existência, destaca que a fundação se deu em 25 de setembro de 1920, “com o objetivo de estimular a boa convivência entre os sócios e seus familiares”.

No discurso, o vereador Inácio Neto, autor da homenagem, ressaltou a participação e a importância da comunidade germânica na cidade.

“O Recife, ao longo de sua história, convive com variadas levas de migração e a presença destes imigrantes ajudou a construir a história da nossa cidade e do nosso Estado. Os primeiros registros da chegada dos germânicos datam de século 17 e não demorou muito para que esta população aumentasse. Foi então que se tornou indispensável a existência de um espaço voltado para a comunidade alemã”, disse.

Inácio Neto falou da evolução do clube, ressaltando que, na sua fundação, eram 52 pessoas.

“Hoje, são mais de 200 famílias associadas, alemães ou não, mantendo sempre a tradição, difundindo a cultura e a língua alemãs”, frisou, segundo foi publicado no da Câmara do Recife em 04 de outubro de 2010.

Talvez aí esteja alguma explicação da “influência” da Alemanha nas construções destas casas  .
 
Vale destacar ainda que a presença dos ornamentos que caracterizam as fachadas é originária da técnica de construção que consiste em paredes montadas com hastes de madeira encaixadas entre si em posições horizontais, verticais ou inclinadas, cujos espaços são preenchidos geralmente por pedras ou tijolos.
 
Informações do site Familia Voltz, diz que se trata do Enxaimel ou fachwerk (originário de “fach” – treliça -, como denominavam o espaço preenchido com material entrelaçado de uma parede feita de caibros).
 
Embora a técnica não tenha sido aplicada aqui, o resultado estético permaneceu como DNA germânico nas casas.
 
Ainda de acordo com os Voltz, “os tirantes de madeira dão estilo e beleza às construções do gênero, produzindo um caráter estético privilegiado. Outras características são a robustez e a grande inclinação dos telhados. Na adaptação do enxaimel às características climáticas da região, foi necessária a implantação, por conta da elevada umidade local, de uma estrutura feita de pedra que sustenta as construções evitando que a madeira se molhe”.
 
O site prossegue: “as casas no chamado estilo enxaimel são uma das principais atrações turísticas em qualquer região de colonização alemã. Quando os primeiros alemães chegaram ao Brasil, a arquitetura enxaimel já não era utilizada havia muito tempo, mas foi considerada a mais adequada para as condições encontradas no Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina”.
 
Aqui no Recife, as casas não são atração turística, mas têm lá seu charme e poder de sedução.
 
Veja AQUI e AQUI mais sobre a técnica construtiva enxaimel.
 
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