Antes que Suma

Quem se lembra do casarão do bar De vento em popa? Sumiu. Mas casas vizinhas resistem

Por Jota | 23 de abril de 2017

Caminhei neste sábado pela Madalena em busca de um passado recente. Fui atrás do casarão que abrigou nos anos 80 o bar De vento em popa.

A construção, certamente um exemplar do século 19, situava-se em meio a um terreno amplo, com ares de sítio.

Naqueles anos em que o Recife contava com uma safra de bares geniais, o De vento em popa destacava-se pela originalidade da proposta – era uma espécie de quartel-general de resistência e difusão de expressões artísticas.

Mas não só. O bairro, o casarão e o terreno/fazenda eram passaporte pro passado. Estavam ali, intactos, ocupados e cheios de vida.

Na minha “escavação” achei a rua – Manuel Bezerra -, mas só.

O bairro está tomado por prédios e mesmo as poucas casas que restam estão, em sua maior parte, agredidas e transformadas pela realidade moldada pelo medo da violência e pelo império das cerâmicas/porcelanato.

Muros gigantes escondem fachadas revestidas de “modernidade”.

O casarão do De vento em popa, o belo e agradável bar do final de uma rua escondida da Madalena, desapareceu para dar lugar a novas vias, ao “progresso” da cidade.

Mas como sempre existem exceções às regras, encontrei encantos na Manuel Bezerra. E registrei para trazer um pouco da vizinhança do bar que faz parte de um passado bom do Recife.

Lamentável não ter conseguido uma foto da casa do bar. Se alguém tiver, por favor, nos envie pelo antesquesuma@gmail.com.

O De vento em popa durou cerca de dois anos, entre 1987 e 1989, e teve entre seus sócios, só soube agora, o ator e bonequeiro (e amigo) Fábio Caio.

O empreendimento foi contemporâneo de bares antológicos como Som das águas, Depois do escuro, Espírito da Coisa, No meio do mundo, Clube da farra, Cantinho das Graças, Calabouço e por aí vai.

No link (clique AQUI), leia sobre a relação da produção cultural do Recife dos anos 80 com os bares e outros espaços: