Antes que Suma

Três belezas vivem sinas distintas na Bartolomeu de Gusmão

Por Jota | 23 de agosto de 2018

Um trecho com três casas que merecem registro. A Rua Bartolomeu de Gusmão, entre as Avenidas Visconde de Albuquerque e Real da Torre, na Madalena, é o endereço destas belezas “descobertas” pelo Antes que suma neste agosto de 2018.

Trata-se de exemplares que vêm se tornando cada vez mais raras em diversas regiões do Recife

Um dos muitos bairros oriundos de povoações iniciadas em engenhos, a Madalena, na Zona Oeste da cidade, foi um dos que mais sofreu com perdas.

Em menos de 20 anos ruas inteiras de casas “de bairro” desapareceram. Com elas, saíram de cena quintais, jardins, árvores, flores.

Onde existiam imóveis residenciais, surgiram – e surgem – espigões de 20 ou 30 andares trazendo para o bairro muitos moradores que passam a usar a mesma estrutura de décadas atrás.

O resultado disso é ruas congestionadas, transformadas em corredores de muros altíssimos, desconectadas da cidade, perigosas e sem beleza.

A vida simples e tranquila que existia em muitas vias ficou no passado. E foi substituída por uma vida vivida intramuros, sem diálogo com o bairro.

Aliás, a convivência entre moradores que se encontravam e se conheciam frequentando pequenos comércios e serviços e escolas se foi.

Não sem sentido, das três casas focalizadas aqui, duas estão vazias, se deteriorando. Uma aguarda por quem queira alugar e um segunda está aparentemente está abandonada.

A terceira, felizmente segue ocupada, com as linhas originais perfeitamente preservadas.

Na que está pintada de rosa, destacam-se o “portal” de entrada, o pequeno terraço e a moldura azulejada da janela voltada pra rua. Árvores frondosas existentes no espaço do jardim, completam o conjunto.

A casa que parece ter sido esquecida tem lindas grades de ferro trabalhado que protegem portas e janelas generosas. A garagem-varanda empresta um ar acolhedor à construção.

Já a que está habitada, é quase um cenário de um passado em que casa era sinônimo de zelo estético e poesia. Com teto de dez águas, tem área pra jardim, com direito a pé da pitanga e pequenas plantas ornamentais.

Um banco azulejado pode ser tratado como obra de arte que se soma à não menos preciosa imagem sacra pintada também sobre azulejo e fixada do topo da platibanda.

Tudo é harmonioso. Duvido que alguém, ao por os olhos na casa, não tenha vontade de entrar e até morar.

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