Antes que Suma

Beleza discreta e preservada entre empresariais e hospitais

Por Jota | 1 de julho de 2017

Tomado por prédios empresariais, clínicas médicas e hospitais, o bairro da Ilha do Leite nem de longe dá pistas que um dia foi formado por bancos de areia em meio repletos de mocambos fixados no manguezal que margeava o Capibaribe nessa área do Recife.

Cada dia mais alterado pela especulação imobiliária e pelos empreendimentos sempre urgentes do polo médico, tem perdido história e identidade. Encontrar casas sem agressões e/ou adaptações aos negócios do mercado da saúde é um tarefa árdua.

Por isso mesmo, este exemplar com traços modernos merece um post só para ele. Fica na esquina das Ruas Jornalista Trajano Chacon com Minas Gerais e, mesmo carente de recuperação e pintura, está bem preservado, ocupado (é moradia) e chama atenção pelas linhas sui generis.

Na realidade, justamente por ser residência é que segue livre de modificações – sempre nocivas a estilos e detalhes s da arquitetura. Afinal, para se manter é necessário se ocupar, habitar, tornar o imóvel funcional.

A casa tem colunas em V, que “seguram” um primeiro com varanda, azulejo e teto em linha ascendente. No térreo, piso xadrez, porta em ferro trabalhado e vidro. O muro baixo, jardim e quintal com árvores completam a “moldura” da construção.

É um imóvel cujo estilo teve boa presença no Recife entre os anos 1950 e 1960, quando a cidade viveu um boom racionalista (ou modernista) em decorrência da expressiva atuação, em Pernambuco, de arquitetos como Acácio Gil Borsoi e o italiano Mario Russo em Pernambuco.

Saiba mais sobre a história da Ilha do Leite AQUI.

Abaixo, links do que o Antes que suma já publicou sobre o bairro e o modernismo.

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