Antes que Suma

Prédio de Antibióticos é marco da arquitetura no campus da UFPE

Por Jota | 18 de novembro de 2016

O Departamento de Antibióticos da UFPE é uma construção que remonta à história do surgimento do campus da instituição, situado entre os bairros da Várzea e o Engenho do Meio, na Zona Oeste do Recife.

Trata-se de um edifício com linhas racionalistas, com a grife do mestre italiano Mario Russo.

Impossível passar por ele e não associá-lo ao desenho de obras de Lucio Costa e, pelo menos para leigos, ao traço de Oscar Niemeyer e aos prédios de Brasília.

Pilares, combogós, paredes inclinadas, vãos e curvas surpreendentes marcam o edifício cuja construção ocorreu entre 1954 e 1956.

Russo, que concebeu a cidade universitária (o campus), é considerado difusor da arquitetura racionalista em Pernambuco (na década de 1950), e um dos responsáveis pela formação de uma nova geração de arquitetos modernistas por essas bandas.

“A interferência do ambiente e da cultura local na obra do mestre racionalista italiano contribuiu para que ele produzisse no Recife uma arquitetura que alia a tradição regional à arquitetura moderna internacional”.

Essa avaliação e as demais informações acima estão no trabalho denominado “Simulação do processo de tombamento do Instituto de Antibióticos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) de Mário Russo”, apresentado em 2008 pelos arquitetos Roberta Lílian Bezerra Smith e Marcelo de Brito Albuquerque Pontes Freitas, em seminário de arquitetura promovido pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia.

Roberta é graduada pelas Faculdades Unidas de Pernambuco (FAUPE) e Marcelo é mestre, arquiteto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e professor do curso de Arquitetura e Urbanismo das Faculdades Unidas de Pernambuco (FAUPE).

O prédio, de acordo com o texto, sofreu diversas interferências no seu desenho original. Mas é um dos mais interessantes e bonitos do campus da UFPE.

É cercado de árvores altas e está localizado numa área aprazível entre o Departamento de Farmácia, o Centro de Ciências Sociais Aplicadas e o Departamento de Hotelaria e Turismo.

Este último é também racionalista, mas, há que se destacar, foi totalmente desrespeitado, agredido e transformado num monstrengo modernoso – será motivo de publicação específica aqui no Antes que suma.

Bom, quem aprecia riqueza arquitetônica deve visitar o prédio do Departamento de Antibióticos.

Nele, de acordo com o texto de Roberta e Marcelo, pode ser vista a interação de elementos do repertório arquitetônico racionalista (pilotis, planta-livre, janela em fita etc.) com elementos da arquitetura brasileira (coberta inclinada, grandes terraços, empenas cegas, paredes de cobogó, venezianas de alumínio etc.).

Também pode-se notar que, infelizmente, está maltratado e necessitando de reparos, de melhor preservação.

Em termos da história do ensino superior no Brasil, o Instituto de Antibióticos – como era chamado inicialmente – foi um projeto inovador por representar o momento de modernização do ensino acadêmico no Brasil.

Não consegui confirmar sabe se o processo de tombamento sugerido – e muito bem fundamentado – no trabalho dos arquitetos pernambucanos deu resultado. Se alguém souber, por favor, nos informe.

Conheça mais sobre a história do prédio e de Mario Russo AQUI, AQUI e ainda AQUI e AQUI.

OBS: Texto publicado, originalmente, em dezembro de 2015, no Facebook.