Antes que Suma

Fachada de casa “enfeitada” com telas pintadas sobre azulejo

Por Jota | 13 de março de 2018

Esta casa de térreo e primeiro andar chama a atenção na esquina da Avenida Beberibe com a Rua Frederico, no limite da Encruzilhada e Hipódromo.

Pichada, com pintura “vencida” – o que acentua o aspecto de abandono – tem um quê modernista e aparentemente mantém traços originais preservados. Até o muro, baixo e com grade, parece estar intacto.

O terreno do entorno, espaço que funde quintal e jardim, também se mostra íntegro.

Mas, acima de tudo, a casa guarda nos dois lados da fachada telas pintadas sobre azulejos. São dois quadros com cenas, digamos assim, campestres.

O voltado para a Rua Frederico apresenta cães caçando aves aquáticos na beira de um lago.

O da Avenida Beberibe retrata uma criança de chapéu de palha e suspensório pescando num rio, à sombra de uma árvore, e tendo ao fundo uma ponte em forma casa ou uma casa construída sobre o rio.

Na tela dos cachorros caçadores é possível observar a assinatura do autor: G. Silva. Pelo traço, supõe-se que a outra obra também tenha sido feita por ele.

Pesquisei sobre G Silva no Google e encontrei quase nada. Há uma referência num site de leilões sobre a venda de um quadro classificado como pintura naif e intitulado de Folclore brasileiro.

Na verdade, não se pode afirmar que seja o mesmo artista das obras que enfeitam a casa da Encruzilhada.

De todo modo, há que se destacar que a presença de telas sobre azulejo é recorrente em fachada de casas antigas do Recife.

A temática mais comum, porém, é sacra. Santos e santas se multiplicam em platibandas de imóveis simples e sofisticados, sem distinção.

Cenas como as vistas na casa em questão são mais raras. Já trouxemos aqui, em janeiro de 2017, um post mostrando as telas que ocupam fachadas de quatro prédios azulejados que foram “revelados” para a cidade com a abertura da Via Mangue, na altura do Pina.

Quem parte da Zona Sul e segue no sentido do Cabanga, inevitavelmente se depara com as edificações e seus quadros. Relembre abaixo:

Prédios-galerias “descobertos” com a abertura da Via Mangue

Ainda sobre a técnica de pintura sobre azulejo vale destacar que artistas renomados como Abelardo da Hora e Corbiniano Lins (falecido no último sábado, 10.03.17) a utilizaram com sucesso em Pernambuco. Relembre:

Painel de Abelardo da Hora permanece esquecido no centro 

Obra privada, Hora de brincar, de Abelardo da Hora, é preciosidade do Recife

Painéis de Corbiniano Lins estão depredados e pichados em Santo Amaro

 

OBS: Se alguém tiver informações sobre G Silva, sobre a autoria das telas do Pina e ainda sobre alguma razão especial que explique a existência (tendência/moda) das pinturas, por favor, informe pelo antesquesuma@gmail.com. A depender das informações, os posts serão atualizados. Obrigado!