Antes que Suma

Um mês dos tapumes que explicam a engrenagem destruidora das #casasmodernistas

Por Jota | 4 de março de 2018

Há um mês, após serem saqueadas, depredadas e descaracterizadas durante anos, as casas modernistas da Avenida Rosa e Silva foram cercadas por tapumes.

A “medida” foi uma reação ao protesto  contra a destruição das construções que, mesmo sendo Imóveis Especiais de Proteção (IEPs), foram desfiguradas.

A mobilização foi uma iniciativa do grupo Direitos Urbanos e aconteceu no dia 03 de fevereiro passado no terreno do jardim das construções.

O descaso e as agressões vem sendo registrados desde 2015 pelo Antes que suma. No ano passado, a Justiça chegou a decidir que o proprietário estava obrigado a recuperar as casas sob pena de ser sofrer sanções (multas).

A ação foi movida pela Procuradoria do Recife. Mas nada foi cumprido, a Prefeitura se calou e fechou os olhos pra situação e as casas continuaram a ser atacadas.

A mesma Prefeitura que concedeu o título de IEPs às edificações (são exemplares modernistas assinados pelo arquiteto Augusto Reynaldo, com reconhecido valor arquitetônico) assina em baixo da destruição das construções.

A situação reafirma o descaso – aparentemente conveniente – da Prefeitura com o patrimônio histórico da cidade. Também reforça a flexibilidade da Justiça.

A soma desses fatores, como se sabe, é o surgimento de farmácias, estacionamentos e projetos de “modernização” da cidade (arranha-céus) onde existiam imóveis caros à história e à identidade do Recife.

Diante do histórico de descasos, se conclui que a destruição das casas modernistas – até o dia 02.02 expostas e vulneráveis aos saques – é proposital e deve resultar na “liberação” do terreno para empreendimentos que certamente agradarão ao mercado e quem ele serve.

O protesto do dia 3 de fevereiro chamou atenção para os malefícios da engrenagem “poder público + mercado”, responsável por dilapidar e matar a memória da cidade.

Os tapumes colocados às pressas, depois de tanta propagação dos ataques aos imóveis, são a confirmação desta realidade devastadora.

Agora, agredidas e descaracterizadas ao extremo, as casas correm o risco de ser exterminadas longe dos olhos de quem de interessa pela sua preservação – uma lista onde Prefeitura, Justiça e o proprietário não estão.

Relembre, abaixo, publicações relacionadas às casas modernistas:

 

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