Antes que Suma

Agredida e descaracterizada, Rua Larga do Feitosa perde poesia

Por Jota | 27 de dezembro de 2016

A Larga do Feitosa, na Encruzilhada, é rua batizada pela soma da sua condição estrutural associada a nome de alguém que certamente marcou história na via, no bairro, na cidade.

Trata-se de uma designação que carrega em si a memória de um tempo em que os nomes dos lugares surgiam espontaneamente, com uma legitimidade estabelecida pela relação entre moradores e a cidade.

Pois a identidade da rua onde, em 1907, a agremiação Empalhadores do Feitosa saiu às ruas com uma música chamada “O frevo” – inaugurando, assim, termo e ritmo – é um “escombro” do seu passado festivo.

Muito pouco resiste. Casas e casarões se foram derrubados para dar lugar, como sempre, a espigões.

O que era poesia virou pó. Bares e outros estabelecimentos comerciais, além da sede dos Empalhadores, desapareceram. O aparato que permitia e estimulava a vida social e a boemia foi extinto.

O ar de bairro, claro, também não resistiu. Arranha-céus dominam a paisagem e transformam a Larga do Feitosa numa rua repleta de problemas comuns à “carrocracia” e à falta de planejamento urbano.

Nos metros que ligam a Estrada de Belém e a Marechal Deodoro ainda se pode ver imóveis que resistem bravamente. Mas também nos deparamos com fantasmas de um passado rico.

Há casos em que construtoras estão esperando apenas funerais de moradores para por edificações antigas no chão.

Terrenos que abrigaram moradias (já destruídas) compõem uma “reserva” de espaço e aguardam o “desfecho” de casas vizinhas para serem ocupados com prédios de 40 ou 50 andares.

Bom, de positivo tem-se a notícia de que o casarão onde funcionava uma igreja cedeu lugar a um restaurante.

Também sabe-se que umas poucas casas têm sido alvo de restauros. Ainda bem. Alguma resistência faz a Larga do Feitosa respirar.

Saiba mais AQUI sobre o frevo (Blog Esquina do Pereira).