Antes que Suma

Casarão da Condepe/Fidem encanta em esquina da Boa Vista

Por Jota | 20 de outubro de 2017

Alguns casarões da Boa Vista e da Soledade resistem ao passar do anos e ao avanço da “modernidade” verticalizada pelo fato de abrigarem empresas e órgãos públicos.

O que sedia a Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (Condepe/Fidem), na esquina da Rua Barão de São Borja com a Dom Bosco, pode ser incluído neste segmento.

A construção, com janelões, escadaria, porão e sótão iluminado e embelezado por um vitral colorido, nos remete a casarões do fim do século XIX e início do século XX.

A presença do ferro fundido também é destaque. Está no guarda-corpo da pequena varanda, no corrimão da escada que dá acesso ao salão principal, no portão e na grade que fazem fronteira com a rua.

Os “desenhos” moldados no ferro são obras de arte e uma atração à parte no casarão.

Como muro e grades são originais – e baixos – quem passa pela rua pode apreciar perfeitamente a casa. E, aí, impossível não se encantar.

Aliás, o imóvel integra um conjunto arquitetônico eclético valoroso localizado num trecho em que Boa Vista, Paissandu, Ilha do Leite e Soledade fazem fronteira.

Estão nas redondezas, os edifícios do colégios Salesiano, Nossa Senhora do Carmo, Pedro Augusto e Oliveira Lima, a Basílica do Sagrado Coração de Jesus, o Café Villa Ritinha e o casario incrível da Barão de São Borja, Visconde de Goiana, Marques de Amorim, Dom Bosco e Joaquim de Brito.

Vale destacar que a pauta e a quatros primeiras fotos da galeria são do leitor José Ribamar B. Filho, que é arquiteto e informa que mesmo sem atuar na área é apaixonado pelo Recife e seus casarões.

Solicitamos informações à Condepe/Fidem sobre a origem, estilo, ano de construção e história do casarão. Pela imponência, pode se concluir que foi erguido para ser moradia de gente endinheirada. Estamos aguardando os dados.

COMPLEMENTO: Depois que o post foi publicado, a leitora Dalva Maria de Barros Araújo me enviou com um artigo de autoria de uma antiga moradora do casarão.

Publicado em 1983 no Diario de Pernambuco, o texto é repleto de recordações afetivas construídas a partir da relação da família com a construção, a convivência com a escada, salas, salões, portas e portão.

Trata-se, enfim, de um relato emocionado de quem tem consciência da importância do ambiente para a formação da memória. O texto foi acrescentado em recortes e também completo, na galeria de fotos. Obrigado, Dalva.

Conheça AQUI o que é e o que faz o Condepe/Fidem.

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