Antes que Suma

Sobrado ganha nova vida na Avenida Portugal

Por Jota | 13 de maio de 2018

Em outubro de 2015, o Antes que suma publicou post, no Facebook, informando que um casarão em ruínas existente na Avenida Portugal, no Paissandu, estaria em vias de ser recuperado.

Dois anos e meio depois, se vê que as especulações tinham fundamento. O projeto de restauro está andamento.

A placa que traz informações sobre a obra destaca que o sobrado é um Imóvel Especial de Preservação (IEP) e que estão sendo feitos restauros das fachadas e cobertas.

As informações detalham os autores do projeto de recuperação, o responsável pela execução dos trabalhos e o grupo contratante – ou o proprietário.

Trata-se de uma empresa do ramo hospitalar, o que nos levar a supor que a construção deverá ser ocupada por alguma instituição ou empreendimento relacionado com a área.

Na época do post, Pedro Valadares, um dos autores do projeto e sócio do escritório de arquitetura contratado, comentou que o projeto estava aprovado, mas como a empresa contratante passara por uma mudança na direção, etapas burocráticas precisavam cumpridas.

“Acredito que em breve a obra terá início”, afirmou ele, na ocasião. Bom, para satisfação de quem se preocupa com a preservação de memória arquitetônica do Recife, as etapas estão em andamento. As fotos, feitas no sábado (12.05) revelam isso.

Na placa não há informação sobre período da construção ou estilo arquitetônico nem indica se o sobrado foi erguido para ser residência ou se tinha outra destinação. Aliás, quem souber, por favor enviar no antesquesuma@gmail.com ou postar nos comentários.

Observando-se fotos de antes do início da restauração (as cinco ultimas da galeria são de 2015), vê-se que existiam adornos, alguns com motivos florais – imitando guirlandas -, janelas imensas com sacadas em colunas e frisos diversos.

Pelas linhas arquitetônicas e pelo estilo do sobrado, pode-se calcular que seja uma edificação surgida entre o final do século 19 e o começo do século 20.

O casarão tem dois pisos. A fachada virada para a avenida conta com oito janelas, quatro no térreo e quatro no primeiro andar.

Na lateral esquerda, são quatro janelas e mais duas portas no térreo. No primeiro piso, são seis janelas e mais uma abertura oval, que, aparentemente é um vitral. Na lateral direita, são sete janelas em cima e igual número embaixo.

A torcida é para que o projeto se encarregue de restaurar as características originais da construção e que ela ganhe funcionalidade, mostrando que “prédio antigo” pode ser vivo, útil e capaz de agregar valor e charme a qualquer empreendimento.

A notícia deste restauro é animadora, principalmente quando se sabe da omissão do poder público e da Justiça com a depredação observada nas casas modernistas da Avenida Rosa e Silva, também IEPs. (Relembre o caso AQUI)

A identidade do Paissandu e a memória do Recife agradecem.

Relembre do post de outubro de 2015, no Facebook

NO PAISSANDU – ESSE CASARÃO SERÁ RECUPERADO? TOMARA

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