Antes que Suma

Vazio e deteriorado, “prédia” sobrevive, mas não escapará da demolição

Por Jota | 10 de abril de 2018

Há cerca de três anos o edifício Monte Castelo, situado na rua do mesmo nome, na Boa Vista, região central do Recife, foi esvaziado.

Vendido para construtora, anunciou-se, na época, que o prédio seria derrubado para dar lugar a um arranha-céu. Certamente mais um gigante espelhado, exatamente igual aos que existem em qualquer cidade grande do mundo. M

Mas o Monte Castelo, um “prédio-documento” de como se morou em condomínio de apartamentos na primeira metade do século XX no Recife, vai sobrevivendo.

Por  conta do desaquecimento do mercado imobiliário, se mantém de pé. Mas, sem moradores, vive um processo lento de deterioração. Parece abandonado à espera da demolição que já tem como sentença.

Em 2015, escrevi na fanpage do Antes que suma o seguinte sobre a sina do pequeno residencial localizado na margem da Avenida Agamenon Magalhães, no lado da Boa Vista:

“O fim da “prédia”, como o Monte Castelo foi carinhosamente apelidado por uma “safra” de moradores-inquilinos geniais que viveu ali entre os anos 80 e 90 contribuirá para o cruel processo perda de memória da cidade.

Aliás, o Recife vem sofrendo acelerada ação de roubo da sua identidade sem que o poder público reaja.

Pelo contrário. Movidos por interesses nem um pouco públicos, os dirigentes do Recife estimulam a derrubada desenfreada de casas e de pequenos prédios residenciais, muitos dos quais com valor arquitetônico e cultural inquestionável”.

O texto prossegue informando que em meados de 2015 os moradores já foram comunicados da venda e que deveriam deixar os imóveis até setembro daquele anos.

“São 12 apartamentos, dos quais nove estão ocupados. Todos são inquilinos de um mesmo locatário. Sim, o Monte Castelo é de um único dono.

Segundo informações de quem está se despedindo, o prédio é do início do século passado”, afirmava o texto da época.

O conteúdo preparado para a fanpage em 2015 destacava  ainda:

“Desde que a notícia da venda surgiu, não param de aparecer manifestações de lamento, indignação, afeto e saudades antecipadas da prédia e de tudo o que ele representa e representou.

Quem foi a um sambinha na prédia ou a um São João na prédia sabe bem o quanto o Monte Castelo significa para tanta gente e pro Recife”.

O Monte Castelo tem dois blocos com térreo e mais dois andares. O condomínio tem linhas simples, cobogós nas escadas e apartamentos com varandas generosas.

O muro original era baixo, permitia se observar um jardim florido e estabelecia um diálogo da construção com a rua e a cidade. Agora, silencioso e desabitado, assemelha-se a um moribundo à espera do cumprimento do seu triste destino.