Antes que Suma

Obras de Abelardo da Hora começam a deixar o Recife com destino a João Pessoa

Por Jota | 28 de dezembro de 2018

Obras que compunham o acervo pessoal do escultor, desenhista, ceramista e gravurista pernambucano Abelardo da Hora começaram a deixar o estado na tarde desta sexta-feira (28.12.18).

As emblemáticas mulheres de longas pernas e formas exuberantes, marca-registrada das esculturas do artista, começaram a ser embaladas para a viagem até João Pessoa, capital da vizinha Paraíba, onde serão abrigadas no Memorial Abelardo da Hora, dentro do Espaço Cultural José Lins do Rêgo.

No final  do mês de novembro a família do artista assinou termo de doação do acervo ao governo paraibano. A decisão impactou o “universo artístico” do estado, gerou protesto em instâncias políticas, mas em nota a família explicou a decisão de doar as obras para o estado vizinho se deveu ao fato de o governo de Pernambuco não ter oferecido condições para abrigar, manter, preservar e divulgar a obra e a memória de Abelardo da Hora.

A família informou ter oferecido, por mais de uma vez o acervo ao governo de Pernambuco, desde que fossem garantidas as mesmas condições apresentadas pela Paraíba.

As obras do acervo eram mantidas pela família no casarão onde morava o artista, na esquina da rua Bispo Cardoso Ayres com Bernardo Guimarães, na Boa Vista.

As obras que “habitam” o quintal da casa – há esculturas que representam passistas, retirantes, caboclos de lança, cortejo de maracatu – seguirão em lotes. A mudança completa se dará em janeiro. O Memorial Abelardo da Hora consumiu um investimento de cerca de R$ 11 milhões, segundo informações do G1.

De acordo com o G1, no documento divulgado pelos parentes do artista, intitulado “Abelardo de todas as horas e de todo o Brasil”, a família explica que recebeu convites de outras partes do país e convites internacionais, como dos países de Portugal, Romênia e Emirados Árabes, mas optou pela Paraíba pois já tinha sido iniciada a construção do museu antes mesmo da doação ser concretizada e por estar perto, acessível também aos pernambucanos.

“A doação mantém viva a fraternidade entre os dois estados – irmãos culturais – pois, da mesma maneira que Pernambuco abriga, mantém, preserva e divulga a obra e a memória do paraibano Ariano Suassuna, a Paraíba abrigará, manterá, preservará e divulgará a obra e a memória do pernambucano Abelardo da Hora. Não há, portanto, nenhum prejuízo para a cultura de nenhum dos dois estados, nem para a cultura nordestina”, diz a nota.

Dois mil e dezoito termina com essa perda de patrimônio para Pernambuco, mas, pelo menos, sabe-se que a arte e a memória de Abelardo estão preservadas, expostas e valorizadas e não mais escondidas num quintal da Boa Vista.

Saiba mais sobre a vida e obra de Abelardo da Hora, AQUI(Fundação Joaquim Nabuco) e AQUI  (Enciclopedia Itau Cultural). Sobre a localização de Hora de Brincar, AQUI (Recife Arte Pública). E, AQUI (Diario de Pernambuco), sobre a exposição que reuniu parte do acervo do artista em 2015.

Relembre publicações do Antes que suma sobre obras de Abelardo:

Obra privada, Hora de brincar, de Abelardo da Hora, é preciosidade do Recife

Painel de Abelardo da Hora permanece esquecido no centro