Antes que Suma

Avenida Flor de Santana perde casas e se desumaniza a cada dia

Por Jota | 11 de fevereiro de 2019

Na manhã do dia 28 de janeiro deste ano de 2019 uma leitora enviou sugestão de pauta e fotos que registravam a demolição de uma casa na Avenida Flor de Santana, 310, na divisa dos bairros de Casa Forte e Parnamirim.

Não consegui chegar ao local a tempo de ver a casa ainda de pé. A construção já estava quase inteiramente destruída. Tratores e homens já estavam no fim da empreitada de por a casa no chão.

E, pelo que conversei com trabalhadores da demolição e gente que vive nas redondezas, o terreno – imenso e arborizado – seria acrescentado à gigantesca área reservada a um empreendimento imobiliário vizinho, anunciado como um “paraíso” de torres, segurança, conforto e estilo, seja lá o que isso significa.

A derrubada da casa que tinha sido residência e recentemente era endereço compartilhado por diversos empreendimentos do segmento de estética, saúde e bem estar – que ajudava dar movimento e vida à rua -, simboliza a “vitória” do império dos arranha-céus e condomínios fechados em si e vendidos como fortalezas desconectadas do bairro e da cidade.

Naquele dia caminhei por toda a Flor de Santana, um dos nomes mais lindos de logradouros públicos do Recife, e vi que apenas cerca de dez casas resistem numa rua que até os anos de 1991 e 1992 contava com um único prédio.

Naquele tempo, costumava passar por ela para visitar amigos que residiam ali. Era pouco movimentada e tinha vida pacata, típica de bairros mais afastados do centro.

Infelizmente o que ocorre hoje naquela região se repete em outras áreas da Zona Norte, na Zona Oeste e Zona Sul.

Ruas inteiras onde existiam casas de muros baixos, jardins, árvores gigantescas, tornaram-se corredores de guaritas e paredes imensas que não dialogam com o entorno.

Ninguém caminha pelas calçadas – empregados e empregados são a exceção -, árvores são vistas como problemas e a desumanização é encarada com naturalidade.

Para que daqui a um, dois, dez anos se saiba como estavam as casas que resistiam na Avenida Flor de Santana, seguem as fotos da galeria abaixo. Antes, publicações que registram desaparecimentos de construções na região:

Há cerca de dois anos mercado e poder público destruíam casa-memória de Borsoi

Casas demolidas na Rua da Angustura: saída de carros do que deve ser nova McDonalds

Mais um casarão demolido na Avenida Rosa e Silva. Vem novo shopping por aí?

Mais uma casa a menos na Rua 48

Clique AQUI Para saber mais sobre o bairro de Casa Forte e o engenho Santana, que deu nome à região: