Antes que Suma

Casa modernista tombada está vazia e sem utilidade há anos

Por Jota | 21 de março de 2019

Algumas construções, por diversas razões, tornam-se ponto de referência numa rua, num bairro, numa cidade.

Esta, pela beleza e valor arquitetônico, é tratada como uma espécie de “marco” que limita os bairros de Parnamirim e Casa Forte, na Zona Norte do Recife.

Fica na esquina da Avenida Dezessete de Agosto com a Rua José Godoy de Vasconcelos, em frente à Praça Dr. José Vilela, número 206.

E, por estar vazia, sem utilidade e, naturalmente, em processo de desgaste, é motivo de constantes lamentos e queixas de leitores do Antes que suma.

Desde 2015, está posta à venda. No mês de fevereiro daquele ano recebeu o título de Imóvel Especial de Preservação (IEP), concedido pelo Conselho de Desenvolvimento Urbano do Recife.

Em junho de 201, um anúncio de venda veiculado na internet informava que a parte interna da casa poderia ser modificada.

Depois que leitores chamaram atenção para o fato nos comentários da página do Antes que suma no Facebook. o anúncio sumiu.

Na matéria que fez para divulgar a transformação da casa em IEP, o Jornal do Commercio destacou que a casa saiu da prancheta de Hugo Marques, nome de relevância na arquitetura modernista dos anos 30, no Recife.

A matéria apresenta declarações de profissionais do setor que indicam que o imóvel tem estruturas independentes e foi erguido com técnicas inovadoras como concreto armado, esquadrias dupla de madeira e vidro e cercada por gradil baixo.

As características do “modernismo recifense” podem ser observadas na presença de cobogós e revestimento de pedra na fachada que dá para a Avenida Dezessete de Agosto.

Na face voltada para  Rua José Godoy de Vasconcelos, há um vão de entrada com parede azulejada e segurado por colunas “ligadas” por uma estrutura retangular, vazada e sinuosa.

Feita de concreto e atravessada por canos de ferro, a estrutura, que parece ter efeito meramente decorativo, “flutua”, dando leveza ao ambiente.

A casa tem térreo (parte dedicada à garagem) e primeiro andar. O acesso ao piso superior é feito por uma escada que sai do jardim. Aliás, pelo fato de o imóvel estar numa esquina e em terreno amplo, o jardim é uma atração à parte.

A sala do andar de cima situa-se exatamente na quina do terreno e, pelo se vê de fora, é totalmente revestida, do piso ao teto, de ferro e vidro.

A riqueza de detalhes da construção é imensa. As fotos revelam alguns deles. A torcida é para que a “casa-referência” do Parnamirim seja reocupada, ganhe utilidade e tenha sua beleza reavivada.

Relembre posts que tratam do Parnamirim e redondezas:

Avenida Flor de Santana perde casas e se desumaniza a cada dia

Há cerca de dois anos mercado e poder público destruíam casa-memória de Borsoi

Veja AQUI, matéria do Jornal do Commercio que informa sobre o tombamento da casa 202 da Avenida Dezessete de Agosto.