Antes que Suma

Degradada, Casa de Clarice mobiliza mulheres que querem destino nobre para imóvel

Por Jota | 27 de novembro de 2018

A casa onde a escritora Clarice Lispector morou no período em que viveu no Recife (de bebê aos 12 anos) permanece desocupada e em processo de deterioração.

“Prova material” da passagem de Clarice por aqui, bem que merecia outro destino. Quem sabe se transformar num memorial em que a história e a obra da escritora fossem preservadas, valorizadas, difundidas.

Certamente, se tornaria um ponto de atração de gente interessada em cultura e ajudaria a fomentar turismo e negócios ligados a arte.

Mas, curiosa e lamentavelmente a casa caminha para a ruína total e o patrimônio que é a história de Clarice no Recife (ou a relação dela com a cidade) também.

Em cidades que costumam reconhecer o valor do legado dos seus artistas, o imóvel com DNA tão precioso seria naturalmente elevado à condição de quartel-general destinado a defender a imortalidade do trabalho da escritora.

Mas, por aqui a reconhecida herança da escrita de Clarice ainda não foi capaz de mudar a triste sina da casa. No entanto, há quem queira outro destino para o imóvel

Um grupo de mulheres recifenses quer ver a casa renascida, restaurada, viva e transformada em centro difusor da obra de Clarice, da literatura, do fortalecimento de lutas femininas, dos direitos humanos, de atividades culturais.

Elas começam a se mobilizar para acompanhar o processo de tombamento iniciado pelo Governo de Pernambuco em 7 de novembro de 2017, segundo publicado no Diário Oficial do Estado daquela data.

A partir do tombamento, planejam contribuir para que a casa tenha destino nobre. O Antes que suma foi convocado a colaborar e, claro, já selou aliança com o grupo – formado por funcionárias públicas, professoras universitárias, profissionais liberais. Vamos acompanhar os próximos passos e noticiá-los.

O processo de tombamento foi aberto a partir de iniciativa do então presidente da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Luiz Otávio Cavalcanti (em 2017).

O imóvel fica na esquina da Rua do Aragão com Travessa do Veras, 387,  em frente à Praça Maciel Pinheiro, na Boa Vista. Tem térreo e mais dois pisos. Clarice teria morado no segundo e último andar.

A casa pertence à Santa Casa de Misericórdia que, segundo matérias publicadas pela imprensa em 2014, se encarregaria de dar entrada no tombamento ainda naquele ano.

A medida faria parte de uma iniciativa que culminaria com a criação de um memorial que envolveria, inclusive, a cineasta Nicole Algranti, sobrinha-neta de Clarice (ucraniana naturalizada brasileira).

Na época, divulgou-se que a Diocese era apoiadora do projeto e que tinha, até mesmo, encerrado o contrato com o último inquilino em 2011, deixando a casa livre para os planos da descendente da escritora. Porém, como se vê, os “esforços” não vingaram. 

Além de respeito a Clarice, o tombamento e recuperação da casa pode representar, quem sabe, a revitalização da Praça Maciel Pinheiro e daquele trecho do centro.

Relembre texto do Antes que suma sobre o destino da casa:

Três anos após promessas e projetos, sobrado onde viveu Clarice segue abandonado

Reveja AQUI, (Diario de Pernambuco), AQUI (Jornal do Commercio) e AQUI (Folha de Pernambuco) publicações relacionadas ao imóvel.