Antes que Suma

Sensacional chalé “escondido” na Estrada de Belém (atualizado)

Por Jota | 6 de maio de 2018

*atualização (dia 11 de maio de 2018)

O muro é alto, mas o portão de ferro não é capaz de esconder a beleza do chalé. Olhando pelas brechas, é possível ver a preciosa construção, na Estrada de Belém, na divisa da Encruzilhada e de Campo Grande.

As janelas de madeira enfeitadas com adornos, a varanda generosa e o imenso jardim que se funde com o quintal formam um conjunto impressionante.

Observando-se de longe, do outro lado da rua, vê-se mais afrescos, na platibanda.

Impossível não se encantar.

A quem aprecia a junção de beleza arquitetônica e verde, o “cenário” é perfeito.

Desde o portão, já se constata o zelo pela estética. A peça em ferro fundido apresenta desenhos monumentais.

No entorno da riqueza que é o chalé, árvores – também monumentais – e plantas, muitas plantas.

A construção conta ainda com um terraço protegido por grande ferro que se liga à varanda da lateral direita de quem olha da rua.

A imensidão do terreno dá um aspecto de chácara ao conjunto. Este tipo de propriedade, com ares rurais, era muito comum em bairros afastados do centro das cidades, entre o final do século XIX e o início do século XX.

No Recife, observa-se a presença de chalés – que sobrevivem às investidas do mercado – na Madalena, Derby, Várzea, Casa Forte, Sancho e Tejipió.

Este da Encruzilhada certamente guarda histórias de vidas e de transformações do bairro e do Recife. Tentei encontrar informações sobre a construção, mas não consegui. Não obtive sucesso nem mesmo sobre se é residência ou sede de alguma instituição, empresa…

Portanto, se alguém as tiver, envie-nos pelo e-mail antesquesuma@gmail.com.

Relembre de outros posts que retratam chalés e casario da Encruzilhada:

Chalés ajudam a contar a história de Tejipió e do Sancho

Mesmo desfigurada, Estrada de Belém ainda reúne encantos

Casas em situações distintas ajudam a contar passado da Madalena

Chalés: história contada em lados opostos do Capibaribe

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*Este conteúdo acima foi o post inicial. Lieitores colaboraram e enviaram o que sabiam sobre o chalé. A seguir, as informações que atualizam a publicação:

Segundo o que foi escrito nos comentários do Facebook, o casarão foi moradia e abrigou um colégio que funcionou como internato. Também foi informado que o imóvel está ocupado e o movimento é feito por uma saída que existe nos fundos.

Hughette Galindo escreveu: “Conheço muito bem!! Aí funcionou por muitos anos, até meados dos anos 70 o Instituto Nacional, colégio de propriedade do meu tio-avô João Bezerra de Menezes, meu “tio Menezes”, que também morava aí! Brinquei muito nesse terreno enorme e no casarão, que mesclava salas de aula e lar. Muita lembrança boa…” 

Perguntamos a Hughette se ela saberia informar por quantos anos o colégio durou, quais séries a abrangia e a casa está ocupada atualmente.

Ela respondeu afirmando não saber dizer quanto tempo o colégio funcionou. “Mas foram muitos anos… Pelo menos da década de 50 até meados dos 70. A casa não é da família há muitos anos”.

Claudia Bloise acrescentou: “Talvez o dono não more lá, mas não está abandonado. Inclusive casa e jardim estão bem conservados. É que o movimento da casa acontece pelo portão dos fundos, na rua de trás. Espero que não tenha sido comprado para investimento (prédio)”.

Otto Caloete destacou: Este prédio era o INSTITUTO NACIONAL dirigido pelo nobre professor Dr José Menezes durante décadas. estudei aí em um semi-internato, foi aí que aprendi a ler e escrever. saudades das suas áreas externas que vão até o outro lado do quarteirão com mangas, milho, coqueiros, carambolas, pitombeiras e etc. passei toda a minha presença adolescência aí”.

Bertha Melo informa: “Vivi lá na minha infância e juventude. Era a casa do meu tio. Muita saudade…”.

Teve gente que disse nunca ter reparado na existência do chalé, outros salientaram que o casarão faz parte da memória do bairro e das pessoas. Houve ainda quem lamentasse o suposto “abandono” e quem torcesse pela preservação da casa.

Enfim, as reações foram diversas, como sempre ocorre quando o Antes que suma traz publicações que focalizam construções que aparentemente estão vulneráveis.