Antes que Suma

Casarão do início do século XX intacto – e lindo – na Fernandes Vieira

Por Jota | 27 de janeiro de 2019

Esta casa branco-gelo com terraço, sacadas e varandas cruza dias, anos e décadas exatamente como foi concebida e erguida.

É um documento de um tempo em que podia se viver com muro baixo, jardim e sem medo da rua ou de quem passa nela.

Um tempo em que arquitetura e beleza eram sinônimos, transformavam moradias em obras de arte e ruas em imensas galerias.

Fica na Rua João Fernandes Vieira, no trecho “devolvido” ao bairro da Soledade, região central do Recife. A rua, aliás, ainda reúne um acervo de casarões que são registros do modo de se habitar na cidade.

O que é focalizado neste post é um dos mais preservados e bem cuidados. Permanece sendo residência e é pouco notado por conta da correria decorrente da instalação de empreendimentos educacionais na região.

De todo modo, os dois pisos podem ser perfeitamente apreciados por quem se dispõe a observar o “espetáculo”. O muro baixo e original permite que se veja desde as plantas do jardim até a varanda dos fundos.

A casa tem ares art nouveau e características de traços arquitetônicos adotados no Brasil no início do século passado. Ou seja, é bem provável que a construção esteja chegando aios 100 anos.

Repare na beleza do teto – com quatro águas em duplicidade -, na sanca, nas pequenas estruturas pontiagudas fixadas nas cumeeiras.

Observe também a riqueza decorativa da grade e das janelas e da porta principal, no térreo. Tudo tem é muito harmônico e agradável aos olhos.

Um imóvel localizado ao lado e com traços bem semelhantes aos da casa focalizada, está hoje ocupado por negócios pertencentes a grupo privado de ensino superior.

Já foi delegacia, biblioteca e agora clínica veterinária. Com tantas destinações, sofreu modificações na fachada e no interior e deixou ainda mais evidente a beleza preservada da vizinha.

Se você ainda não reparou, abra olhos e alma quando passar pela Fernandes Vieira. Vale a pena.

A torcida é para que os casarões que resistem ao tempo e às “modernidades” sejam mantidos bem preservados e que os se encontram degradados, recuperados.

Relembre publicações que tratam de casarões da rua que começa no Parque Amorim, passa pela Boa Vista e termina na Soledade:

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