Antes que Suma

Casarão neocolonialista da Dr. José Maria é alvo de vandalismo

Por Jota | 24 de dezembro de 2018

Um casarão neocolonial que em outubro de 2017 foi destacado pelo Antes que suma, começa a ser alvo de vandalismo.

Os tapumes que protegiam a construção estão sendo retirados e a pequena grade que existe sobre o muro começa a ser arrancada. Como consequência, a casa, desocupada há anos, vai ficando exposta e vulnerável a agressões e “saques”.

O imóvel fica na Rua Dr. José Maria, nos Aflitos, bairro vizinho às Graças, onde ocorrência semelhante “vitimou” duas casas modernistas geminadas, na Avenida Rosa e Silva.

Aliás, este tipo de acontecimento tem sido verificado com frequência no Recife. Construções antigas e outras nem tanto, têm sido, ao que parece, intencionalmente, esvaziadas e abandonadas.

A estratégica driblaria um possível tombamento ou simplesmente justificaria a inviabilidade da ocupação/preservação, facilitando a venda a construtoras ávidas por terrenos onde caibam arranha-céus.

Isso ocorre há anos com inúmeros imóveis em Santo Antônio, São José e Boa Vista. Com as casas modernistas, o prejuízo foi gigantesco.

Mesmo elevadas à condição de Imóveis Especiais de Preservação pela Prefeitura do Recife, as geminadas perderam janelas, portas, azulejos, louça de banheiro, guarda-roupas embutidos, grades e até o teto. Paredes foram comprometidas e elementos arquitetônicos tipicamente modernistas desapareceram.

O poder público demorou a agir e quando a Justiça foi acionada as casas já estavam desfiguradas.

Não se pode afirmar que o casarão dos Aflitos esteja sendo submetido à mesma tática de estímulo à vandalização. Mas é importante chamar a atenção para o riscos que o sumiço dos tapumes e das grades representa.

O alerta, bem como as fotos, são do jornalista Laércio Portela, um dos nomes à frente do Marco Zero Conteúdo e morador da região.

Ele destaca que o imóvel sediou, entre os anos 70 e 80, a Fundação Estadual de Planejamento Agrícola (Cepa), órgão do Governo de Pernambuco.

E confessa ter relação sentimental com a construção. Quando criança, sua mãe, que era funcionária do órgão, o levava ao local de trabalho para poder acompanhá-lo na execução de tarefas escolares.

O casarão tem características arquitetônicas que se sobressaíram entre o fim do século 19 e a terceira década do século 20. Portanto, muito provavelmente, a construção deve estar beirando os 100 anos.

A torcida é para que o desaparecimento dos tapumes e de parte da grade não signifique o início de processo de depredação do imóvel.

No link abaixo, é possível relembrar o que foi escrito sobre o casarão em outubro de 2017 e rever fotos que mostram o imóvel cercado de tapumes.

Nos Aflitos: o que será do lindo casarão da Rua Dr. José Maria?

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