Antes que Suma

Mais um casarão demolido na Avenida Rosa e Silva. Vem novo shopping por aí?

Por Jota | 12 de junho de 2018

O casarão de número 1002, vizinho ao Edifício Zilda e a um extenso terreno usado como estacionamento (no trecho entre o Náutico e o Incra), foi ao chão na Avenida Rosa e Silva, nos Aflitos, Zona Norte do Recife.

Entre esta segunda (11.06.18) e hoje (terça, 12.06.18), a construção virou pó. As fotos da demolição, em que aparecem escavadeira e caminhões, foram feitas na tarde desta terça. E a avenida, que tem acumulado perdas nos últimos, amarga mais um prejuízo.

De 2015 para cá, desapareceram da via as casas que sediaram a antiga Escola de Relações Públicas (Esurp), o sobrado onde funcionou a antiga Padaria Capela, na esquina com a Rua Amélia, e os casarões do extinta emergência cardiológica Unicordis, na “divisa” com a Rua da Hora.

No lugar da Esurp foi erguido um arranha-céu residencial. No terreno do sobrado, surgiu uma farmácia. Por sua vez, a área esvaziada pela derrubada do Unicordis permanece cercada, mas sem obra alguma.

Mais recentemente, de agosto de 2017 para cá Rosa e Silva foi palco de um crime que até agora deu em nada: as duas casas modernistas construídas em 1958 pelo arquiteto Augusto Reynaldo, no trecho entre as ruas Bruno Maia e Amélia, foram destruídas.

Embora fossem”tecnicamente” protegidas por lei, uma vez que desde dezembro de 2014 passaram a ser considerados Imóveis Especiais de Preservação (IEPs) pelo Conselho de Desenvolvimento Urbano do Recife, as casas foram depredadas e saqueadas com anuência do proprietário e do Poder Público. Hoje, em ruínas estão escondidas por tapumes de metal.

Bom, voltado ao casarão 1002 ainda não conseguimos apurar o que será erguido no local. Trabalhadores encarregados da derrubada e moradores das redondezas não têm informações.

Uma placa indicando que a área está posta para aluguel/venda foi colocada próxima à calçada. Porém, leitores destacam a existência de especulações que apontam a para a construção de um shopping.

O centro de compra ocuparia o espaço da casa e todo o seu entorno e o terreno do estacionamento vizinho. Aliás, desde 2016, quando o Antes que suma fez post sobre o imóvel não havia muro separando as duas propriedades. Apenas o muros que dão para a rua fazem distinção entre as suas áreas.

Em maio de 2016, já alertávamos, no Facebook para os riscos de depredação do número 1002. Relembre:

NOS AFLITOS
MAIS UM CASARÃO DA AVENIDA ROSA E SILVA SOB RISCO

No mesmo dia (28.04.16) em que o sobrado da antiga Escola Superior de Relações Públicas foi demolido, deixando os Aflitos ainda mais sem memória, a degradação desse casarão situado na mesma Avenida Rosa e Silva e também no mesmo bairro, estava “exposta” a quem passava. 

O portão que dá acesso ao imenso terreno onde fica essa maravilha estava aberto e oferecendo ângulos diversos desse imóvel que certamente supera os 100 anos. Os registros estão feitos e a torcida é grande para que a recuperação seja o destino da casa.

OBS: Se alguém tiver dados sobre a “origem” do imóvel, ano da construção, estilo arquitetônico, proprietários, por favor, divida as informações nos comentários.

Naquele mesmo ano, no segundo semestre, o casarão foi alugado para servir de comitê eleitoral. Foi pintado de azul, ganhou vida, mas, de novembro em diante, voltou a ficar vazio e com aspecto de abandonado.

Como se vê nas fotos, tratava-se de uma construção de térreo e primeiro andar, com traços ecléticos, escadaria, varandas, janelas amplas e cercado por um terreno amplo, repleto de verde e sem limites entre jardim e quintal.

Certamente foi erguido para ser residência e, como tantas outros exemplares antigos, se inviabilizou por conta de insegurança, império dos condomínios verticais, altos gastos de manutenção, entre outros fatores.

Com esta demolição, a Rosa e Silva, os Aflitos e o Recife perdem em identidade e memória. A Zona Norte, que tanto guardava casas e prédios que documentavam o modo de se morar no Recife (em bairros mais ou menos refinados ou mais ou menos populares), continua a desaparecer.

Veja abaixo o que o Antes que suma publicou sobre as perdas registradas na Rosa e Silva:

Mais um casarão desaparece da Avenida Rosa e Silva 

NOS AFLITOS – IMÓVEL QUE SEDIOU ESURP ESTÁ SENDO DERRUBADO

SEM MEMÓRIA, SEM IDENTIDADE – DESTRUIÇÃO DE SOBRADO CONFIRMA ESCASSEZ DE DADOS SOBRE IMÓVEIS PRIVADOS E ENCERRA TRAJETÓRIA DA ESURP

FIM MELANCÓLICO

Casas modernistas da Rosa e Silva estão abandonadas e depredadas

Casas modernistas da Rosa e Silva: descaracterizadas e vazias 

Reforma em casa modernista é embargada na Rosa e Silva

EMBARGO DE CASA MODERNISTA PROSSEGUE E TAPUME DESAPARECE

NAS GRAÇAS
TRANSFORMADA NA FACHADA E INTERNAMENTE, CASA MODERNISTA DA ROSA E SILVA É SÍMBOLO DE DESRESPEITO À LEI

Demolido em 2015, sobrado da Padaria Capela cede espaço a farmácia (mais uma)

Um mês dos tapumes que explicam a engrenagem destruidora das #casasmodernistas

Protesto contra destruição das casas modernistas da Rosa e Silva

Casarões do antigo Unicordis são demolidos na Rosa e Silva