Antes que Suma

Um ano depois, tombamento da casa de Capiba ainda não saiu

Por Jota | 24 de novembro de 2018

Mais de um ano se passou após o anúncio de abertura de processo de tombamento e a casa onde viveu o compositor o compositor Lourenço Fonseca Barbosa (1904-1997), Capiba, ainda aguarda a decisão que pode assegurar preservação e destino decente à construção.

Localizada na Rua Barão de Itamaracá, 369, no Espinheiro, Zona Norte do Recife, a casa teve o pedido de tombamento aceito pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) em outubro de 2017.

A solicitação partiu do presidente do Instituto Maximiano Campos (IMC), advogado Antônio Campos.

O Ministério Público de Pernambuco também expediu pedido de tombamento ao Governo do Estado e ainda recomendou à Prefeitura do Recife transforme a casa em Imóvel Especial de Preservação.

Com a abertura do processo de tombamento, o imóvel passou a ter as mesmas prerrogativas de um bem tombado e desde de então não pode ter suas características alteradas.

Ainda assim, chegou a ser depredado janeiro de 2018. Segundo matérias publicadas na imprensa,  dois portões de alumínio (o da garagem e o dos fundos) foram roubados.

Na época do anúncio do processo de tombamento, a Fundarpe elaborou uma nota técnica concluindo que “a casa em questão deveria ser tombada muito mais em função de seu valor imaterial agregado, por haver sido a residência do compositor Capiba, que a construiu, em 1948, e onde residiu com a esposa, Zezita Barbosa, até seu falecimento, há 20 anos”.

Um comunicado do governo à imprensa anunciou ainda a incorporação da antiga residência de Capiba ao patrimônio do Estado. Na nota foi explicado que a medida tinha o “objetivo de preservar e manter a memória artística de Pernambuco”.

A desapropriação deixou a viúva, então com 85 anos, surpresa. Morando em Surubim, terra natal de Capiba, a 123 km do Recife, Zezita revelou, inclusive, ter ficado chocada com a forma como o governo conduziu a questão.

Na ocasião,  ela declarou à imprensa não ter sido consultada a respeito de nenhum dos dois assuntos – desapropriação e tombamento. Disse ainda não concordar com os encaminhamentos tomados pelo governo e demonstrou preocupação com o ressarcimento do Estado à família,

Vale lembrar que a casa, avaliada em R$ 2 milhões, em 2017, estava posta para a venda até setembro daquele ano.

Naquele mês, o comunicador Geraldo Freire (Rádio Jornal) divulgou, nas suas redes sociais, um alerta sobre a possível demolição da casa, caso fosse adquirida por alguma construtora. Somente após a grande repercussão do vídeo de Freire, o governo decidiu agir.

Em janeiro deste ano a casa ganhou tapumes no lugar dos portões roubados e passou a contar com proteção. Primeiro, de um caseiro e, depois, da Polícia Militar.

Mesmo vazia e descuidada está em bom estado e prontinha para se tornar, quem sabe, um museu ou um centro cultural que preserve a memória e divulgue a história e a obra de um dos mais emblemáticos compositores do frevo, ritmo maior da identidade pernambucana.

Típica casa dos anos 1940, tem ar de sobradinho, com térreo e primeiro andar, sem adornos, mas com janelões na fachada. Uma olhada na sala e na garagem (visto de fora) é possível ver fotos, documentos, troféus e condecorações de Capiba.

Na ocasião do anúncio do processo de tombamento a Fundarpe informou que todo o acervo artístico relacionado ao compositor havia sido inventariado há quatro anos e que o arrolamento se encontrava na biblioteca da Fundarpe.

Destacou ainda, de acordo com a Folha de Pernambuco, que o material – partituras, LPs, CDs, DVDs, livros, troféus e instrumentos musicais, entre outros objetos – está em poder da família do artista.

Saiba quem foi Capiba AQUI (Itaú Cultural) e AQUI (e-biografia)