Antes que Suma

Imóvel da Ordem Terceira do Carmo tem restauro suspenso

Por Jota | 15 de abril de 2018

Nos fundos da Igreja da Ordem Terceira do Carmo, na Rua Vinte e Quatro de Maio, há um prédio antigo de porta imensa em forma de arco e janelas em madeira e vidro, protegidas por pequenas sacadas de ferro.

A construção com um quê de neoclassicismo pertence à referida Ordem – cuja igreja é votada para o Pátio do Carmo, na Avenida Dantas Barreto, no bairro de Santo Antônio – e está passando por um processo de restauração.

Em dezembro, as obras estavam em andamento, mas em março foram paralisadas. Segundo informações extra-oficiais, problemas financeiros teriam impedido a continuidade.

Vendo-se de de cima, observa-se que o imóvel integra um conjunto que é composto pelo templo propriamente dito – muito utilizado para casamentos de gente abastada – pátio interno e outras construções que abrigaram convento e outros departamentos da Ordem.

A igreja, que tem conjunto de pinturas dedicadas à Santa Tereza D´Ávila, data de 1710. Mas não se pode afirmar que o prédio enfocado é do mesmo período. De todo modo, tem evidente valor arquitetônico e histórico.

A fachada, como visto nas fotos, apresenta paredes com grandes áreas deterioradas, descascando, sem tinta. Pichações ajudam a agravar o quadro. Há janelas com vidros quebrados.

Recuperações de um prédio como este exige grande volume de recursos e trabalho de gente especializada.

Assim como grande parte do patrimônio arquitetônico da Igreja Católica, o conjunto da Ordem Terceira é tombado.

Isso significa dizer que recuperações de um prédio como este exige trabalho de gente especializada, com currículo e experiência avalizados por órgãos públicos de defesa e proteção do patrimônio.

Em relação aos recursos, geralmente em volume altíssimo, o financiamento público pode existir. Porém, neste caso, de acordo com dados informais, o dinheiro saiu do caixa da Igreja.

O tombamento da Ordem Terceira e de todo o seu acervo se deu em 1985 pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), órgão que antecedeu o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

A torcida do Antes que suma é para que o prédio seja plenamente restaurado e, se possível, aberto à visitação.

E que sirva de estímulo para a recuperação de outros bens da Igreja – geralmente erguidos em áreas centrais, esvaziadas, esquecidas e negligenciadas pelo poder público – e de prédios privados, com reconhecido valor arquitetônico e histórico de Santo Antônio e do bairro de São José.

OBS: Tentei obter mais informações sobre a obra, mas não consegui conversar com a equipe de restauro, Houve desencontros de horários. Fiz duas tentativas. Farei outras.

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