Antes que Suma

Tradicional restaurante Leite resiste e chega a 135 anos em região desprezada

Por Jota | 19 de julho de 2017

restaurante Leite, situado na Praça Joaquim Nabuco, no bairro de Santo Antônio, testemunha a história do centro do Recife desde o ano de 1882.

Quer dizer, o empreendimento que vem sobrevivendo a diversas gerações de uma mesma família de origem portuguesa viu o nascimento da República, o fim da escravidão, o seculo XX inteirinho e chega à metade da segunda década do XXI firme e forte.

Conhecido e reconhecido além das fronteiras do país, o restaurante está instalado num casarão que fica na esquina da Praça com a Rua da Concórdia e completa 135 anos em setembro próximo.

A sobrevivência do Leite prova que sofisticação nada tem a ver com prédios espelhados e gigantescos e shoppings, que atualmente são apontados como soluções “modernas” para o comércio. 

Aliás, o restaurante resiste à decadência do centro e faz do endereço “incomum” e da construção antiga aliados da tradição que impressiona e agrada a quem o frequenta e tanto orgulha os pernambucanos.

O site Prazeres da mesa detalha tudo começou em 1882. “O período Imperial estava a um passo da ruína e as manifestações abolicionistas eclodiam por todo o Brasil”.

De acordo com o site, foi em meio a esse cenário de ebulição sociopolítica que, recém-chegado de Portugal, Armando Manoel Leite de França apostou na vocação comercial do Recife abrindo um quiosque para refeições à margem do rio Capibaribe, no centro da sua nova cidade.

“Nem desconfiava ele que o Restaurante Manoel Leite se transformaria em um dos mais antigos do País, um fenômeno temperado pela vontade de perpetuar uma história em que comida e atendimento sempre estiveram em alta conta de todos os administradores que posteriormente lhe cuidaram”.

Por tudo isso, o Leite, tornou-se símbolo para o Recife e para Pernambuco. Sua história, a longevidade (tido como o mais antigo em atividade no país), a qualidade do serviço e o cardápio – a cartola é sobremesa obrigatória – são quase “lendas” para quem é da terra do altos coqueiros.

Em matéria de 2012, quando o Leite completou 130 anos, o jornal O Estado de de São Paulo informa que o restaurante tem tradições mantidas em detalhes: “o palito de dentes, por exemplo, é feito à mão em um convento de Portugal. O rótulo da garrafa de água mineral traz reprodução do azulejo português da fachada. As cadeiras de jacarandá são quase centenárias, as bandejas são de prata, os guardanapos, de puro algodão.

A manutenção do empreendimento num local tão desprezado bem que podia estimular o poder público a recuperar e preservar a região.

A área perdeu cinemas – nas redondezas funcionavam Trianon, Art Palácio e Moderno – estabelecimentos comerciais de diversos segmentos, como a Viana Leal e Sloper, que contribuíam para assegurar movimento e vida no centro.

Mas não se tem notícia de iniciativas de reanimar a região. Quer dizer, a permanência do Leite é uma exceção que confronta a regra de esvaziamento do centro, sucateamento de equipamentos públicos e inevitável desvalorização da área.

Mais informações sobre a história do Leite no links: AQUI  (prazeresdamesa.uol.com.br) e AQUI (Estadão).