Qual o seu momento inesquecível no Teatro do Parque?

Dois anos depois do centenário, em 2015, o Teatro do Parque chega a mais aniversário fechado.  São 102 anos, sete deles sem atividades.

A reforma que explica tanto tempo fora de cena, foi iniciada em 2010 e, como as obras estão paralisadas, não há previsão de retomada do funcionamento.

Em suma: um equipamento público que teve papel fundamental para as artes em Pernambuco, no Recife especificamente, está abandonado pela Prefeitura da capital.

A ausência de um espaço precioso para as artes cênicas e o cinema, talvez um dos lugares que mais presente esteja na memória afetiva do recifense ligado em cultura, deixa a cidade órfã.

Além de um palco a menos, o fechamento do Parque contribui para o esvaziamento e desvalorização do centro da cidade e e, de certo modo, representa a morte da vida social da Rua do Hospício e do entorno.

Sem o teatro, o público perdeu sessões de cinema, shows de projetos, como o Seis e meia, espetáculos teatrais locais e de companhias de outros estados. Enfim, sem o Parque o Recife é menos Recife.

O aniversário do teatro acontece no dia 24 próximo. O descaso com o destino do centenário espaço está motivando reações de diversas naturezas.

Há indignação, protestos e desesperança no poder público, que tem se revelado, ao longo dos anos, insensível e incapaz de buscar soluções para a recuperação do equipamento cultural.

Estão agendadas atividades que pretendem pressionar a gestão do prefeito Geraldo Julio (PSB) e debater sobre a paralisação do teatro.

O vereador Ivan Moraes (Psol) promoverá audiência pública na Câmara do Recife, no dia 24, a partir das 9h. No link abaixo estão as informações:

Audiência Pública sobre Reabertura do Teatro do Parque

No dia 26, artistas comandarão a Virada Cultural do Teatro do Parque. A página criada no Facebook para mobilizar a classe artística (link acima) informa o seguinte:

“Das 10h às 22h do sábado 26/08 estaremos ocupando a rua do teatro do Parque, realizando apresentações de música, dança, cinema, teatro e congêneres. Serão 12 horas ininterruptas com atividades culturais que poderiam estar sendo realizadas no interior do teatro se não fosse o descaso do poder executivo municipal”.

À Folha de Pernambuco, o ator e diretor Diógenes Lima, que organiza o movimento, declarou que “não é só um palco a menos para os artistas, mas também deixa de ser uma fonte de renda para o comércio em volta e uma opção de lazer e cultura para a população”.

A iniciativa está tendo adesão de atores, diretores e produtores culturais de Pernambuco e de fora. Muitos depoimentos em favor da reabertura do teatro estão veiculados nas redes sociais.

Em 2015, texto é do G1 Pernambuco alusivo aos 100 anos do teatro informava que “o imóvel, de interesse especial foi erguido em 1915”.

E afirmava que mesmo com a interdição já completando cinco anos (na época, agora são sete), a reforma só foi iniciada em janeiro daquele ano.

De acordo com a arquiteta responsável, Simone Osias, o prazo para a reinauguração era novembro de 2016. O custo total da obra deveria ficar em mais de R$ 10 milhões.

Na época, o presidente da Fundação de Cultura, Diego Rocha, alegou que a obra não chegaram a parar totalmente.

“Teve um momento de diminuição de contingente de operadores, mas é que estava sendo feito uma prospecção exatamente de restauro, onde corria o risco de, se avançássemos em algo, poderia cair alguma coisa”, disse.

Já Simone Osias afirmou que tudo esteve dentro da programação esperada. “Faz parte do nosso cronograma de pesquisa, confirmação documental desses achados e depois da reafirmação em campo até que de fato comece as obras”, concluiu.

Naquele momento, dizia o G1, avarias atingiam a instalação como infiltrações e cupins. A parte elétrica tinha sido trocada e a coberta e o piso recuperados.

A etapa que estava começando em meados de 2015, destacava a matéria, seria a mais demorada: a de restauro. Iriam ser tiradas, por exemplo, as camadas mofadas do teto na entrada. A ideia seria resgatar ao máximo a imagem que o teatro tinha no início do século passado.

Reportagem da Folha de Pernambuco publicada neste sábado (12 de agosto de 2017) salienta, porém, que as obras estão paralisadas desde julho de 2015. E acrescenta que os trabalhos estão estimados R$ 12 milhões.

HISTÓRIA (do site da Prefeitura do Recife) – Construído pelo comerciante português Bento de Aguiar, que investiu 200 contos de réis e entregou a decoração da casa aos pintores Henrique Elliot e Mário Nunes.

O prédio, todo em art-nouveau, foi cuidadosamente projetado para oferecer mais conforto ao público de uma cidade tropical.

Em 24 de agosto de 1915 o Teatro do Parque foi inaugurado com a apresentação da Companhia Portuguesa de Operetas e Revistas.

Grandes companhias brasileiras passaram pelo palco do teatro, como as de Vicente Celestino e Alda Garrido, e as primeiras peças da parceria Samuel Campelo – Valdemar de Oliveira.

Na época do cinema mudo, os filmes eram acompanhados por músicos que, depois, fizeram nome, como o maestro e compositor Nelson Ferreira.

Teatro do Parque fez parte também da consagração do cinema falado. De 1929 a 1959, o espaço foi arrendado ao grupo Luiz Severiano Ribeiro e lançava filmes da Disney e chanchadas brasileiras.

Mas, graças a pressão da classe teatral, o prefeito Pelópidas da Silveira o desapropriou e promoveu uma reforma completa.

A reinauguração aconteceu em 13 de setembro de 1959, com a peça Onde Canta o Sabiá, com direção de Hermilo Borba Filho.

Em 1973, um convênio entre a gestão municipal e o Instituto Nacional de Cinema, o Parque foi transformado no primeiro cinema educativo permanente no Brasil.

Em protesto contra o fechamento do teatro e em homenagem aos bons momentos proporcionados por aquele lugar especial para o Recife, o Antes que suma se associa às mobilizações e quer saber:

Qual (is) o (s) seu (s) momento (s) inesquecível (is) no Teatro do Parque?  Faça o relato no Facebook ou nos comentários aqui no Blog.

A sua relação afetiva com o Teatro do Parque faz parte da sua história, da história do Recife. No dia 24, uma nova publicação reunirá o conteúdo para tratar das memórias afetivas do recifense com o Parque.

Quem Somos

Josue_NogueiraJosué Nogueira, jornalista formado pela UFPE, com pós-graduação em História Contemporânea pela mesma universidade. Já atuei no Jornal do Commercio, Folha de Pernambuco e Diario de Pernambuco e assessorias de imprensa. Fui repórter e editor de Economia e repórter, blogueiro e colunista de Política. Desde novembro de 2014 edito, no Facebook, a página Antes que suma.

A comunidade virtual e também o site surgiram para documentar a existência de imóveis com valor arquitetônico e histórico que resistem ao descaso de proprietários, à desatenção do poder público e à ganância do mercado de Pernambuco, do Recife em especial. Também têm espaço aqui aqueles que estão mantidos em bom estado e funcionais, provando que o passar do anos não é sinônimo de inutilidade.

O trabalho, portanto, joga luz sobre belezas e peculiaridades de construções de estilos diversos, simples ou suntuosas, que testemunham o passar do tempo e são documentos da conexão do homem com a arquitetura. Sejam elas moradias, edificações públicas ou privadas, comerciais ou religiosos. Enfim, a razão de ser da página e do site é a busca pela valorização e preservação desse patrimônio tão desrespeitado.

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Onde denunciar

Caminhos para se denunciar agressões ao patrimônio e iniciar processo de tombamento ou transformação em Imóvel Especial de Preservação (Iep)

Denúncias de agressão a um imóvel que mereça ser preservado podem ser apresentadas à Diretoria de Proteção de Patrimônio Cultural do Recife, Promotoria do Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Ministério Público), Fundarpe e Iphan.

O ideal é explicitar a relevância histórico-cultural do imóvel e, se possível, um estudo nesse sentido.

A denúncia pode ser feita por particulares, mas se for pelo próprio Poder Público, mais força tem. A Diretoria de Proteção do Patrimônio Cultural do Recife(DPPC) faz esses estudos.

Pode-se também protocolar um pedido de tombamento, tanto na (Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) como Instituto do Patrimônio Histórico e Arstístico Nacionak – Iphan

 A lista dos imóveis que estão sendo objeto de estudo para poderem virar IEP fica na DPPC. Para se ter acesso a ela, pode-se tentar um pedido de informações. Não está claro que se os estudos ocorrem em sigilo ou não.

 IEP e tombamento são institutos distintos. Cada um tem procedimentos e consequências diferentes

Para ver como proceder em relação aos IEPs, é precico consultar a Lei Municipal 16.284/97.

 Para tombamento, o imóvel precisa ser federal ou estadual.

 Se a proteção for negada na esfera administrativa, ainda pode haver ação judicial para declarar um bem como IEP ou para tombá-lo.

 OBS: A lista dos IEPS está como anexo na própria lei que os institui, a Lei Municipal 16.284/97

 (Informações da promotora de Justiça Belize Câmara)

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Legislação

Leis que regulam uso do solo e estabelecem limites à construção carecem de “atualização” no Recife

O conjunto de leis e códigos que rege uso de solo e ocupação de espaços urbanos e estabelece limites para construções no Recife é marcado pela falta de atualização.

A lei do Uso do solo (1983):

É a lei básica que trata de como deve se dar a ocupação da cidade, fixa limites para a construção civil e dá garantias de preservação espaços urbanos.
Inicialmente era restritiva e garantia regras “civilizadas” na relação mercado e cidadania.
Mas, “modernizações” incluídas em 1998, a flexibilizaram e a ocupação desmedida dos espaços foi incentivada. As construções chegaram até as calçadas, sem um centímetro de recuo. Os muros cresceram e deram aspecto de fortaleza a edifícios residenciais e comerciais. Enfim, as construções se desvincularam da cidade.

http://www.recife.pe.gov.br/pr/secplanejamento/servicos/leis/lei16414.pdf

https://pt.scribd.com/doc/88578928/LEI-N-16-176-96-Lei-Ocupacao-Solo-Recife

Lei dos 12 Bairros (Lei Nº 16.719 /2001):

Criou a Área de Reestruturação Urbana – ARU – incluindo os bairros do Derby, Espinheiro, Graças, Aflitos, Jaqueira, Parnamirim, Santana, Casa Forte, Poço da Panela, Monteiro, Apipucos e parte do bairro Tamarineira e estabeleceu novas condições de uso do solo nas áreas.
Por meio dela, foram criadas restrições com a intenção de conter a ocupação desenfreada da Zona Norte e desestimular a acelerada verticalização na região.
Ficaram estabelecidos limitação de gabarito, recuos na área verticalizada, construção de calçadas, áreas verdes. Em suma, tentou-se retomar alguma mais conexão entre os edifícios e a cidade.

http://www.ebah.com.br/content/ABAAAA_K8AI/lei-reestruturacao-urbana-aru-lei-dos-12-bairros

Plano Diretor:

É o instituto máximo da ordenação da cidade e a partir dele o Poder Público deve se guiar no que diz respeito à aprovação de projetos imobiliários considerando o adensamento construtivo, a preservação de patrimônio histórico e arquitetônico, a preservação de bens naturais, artificiais e culturais da sociedade recifense, incluídos aqueles bens que são elementos característicos da paisagem (definição elaborada a partir de texto do grupo Direitos Humanos-Recife.

O Plano Diretor, no entanto, vem sendo desrespeitado e o Poder Público o fere frontalmente. Foi aprovado em 2008, mas não foi regulamentado por completo. Algumas partes foram submetidas à regulamentação, mas de forma isolada. A intenção, pelo menos aparentemente, foi beneficiar setores bem específicos. No mercado, esses ajustes ocasionais foram entendidos como facilitadores do projeto Novo Recife, comandado por consórcio de construtoras que quer erguer torres no Cais José Estelita. Também permitiram o surgimento de arranha-céus na área de proteção histórica da Boa Vista e deu o aval para o plano de ocupação da Vila Naval, em Santo Amaro.

http://www.recife.pe.gov.br/ESIG/documentos/Plano_Diretor/Lei%20Plano%20Diretor
%2017511-2008.htm

 
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