Antes que Suma

Mais estacionamentos, mais risco para casas e memória da cidade

Por Jota | 29 de agosto de 2016

A valorização do uso de carros, alimentada diretamente pela falência do sistema de transporte público, se converteu em mais uma “inimiga” feroz de casas e da preservação da memória do Recife.

Bairros centrais, onde estão concentradas construções históricas, de valor arquitetônico evidente, viraram alvo de um negócio que surgiu na esteira da “carrocracia”.

Estacionamentos privados vêm demolindo, sem cerimônia, imóveis antigos de estilos diversos, bem conservados ou não.

Casas que foram residências e/ou sede empreendimentos comerciais, foram ao chão para dar lugar a automóveis de quem trabalha ou precisa circular pela área central da cidade.

Hospitais, clínicas, consultórios e outros serviços de saúde, privados ou não, contribuíram e contribuem enormemente para esta situação.

O chamado polo médico atrai milhares de clientes/pacientes e acompanhantes diariamente para bairros como Boa Vista, Soledade, Derby e Benfica, entre outros.

Faculdades particulares também têm dado grande parcela de colaboração a esse quadro nessas regiões do Recife. Nos três turnos, multidões chegam a estes mesmos bairros para estudar.

Para atender à demanda do contingente que – que, em sua maior parte, circula de carro – estacionamentos subtraem patrimônio desses bairros e criam ilhas de depósito de automóveis.

Eles estão nas ruas do Progresso e Avenida Manoel Borba (Soledade), Rua Joaquim Felipe e Avenida João de Barros (Boa Vista), Rua Paissandu (Paissandu) e Avenida Portugal (Derby).

Estão também, é claro, em outras regiões. Hoje, competem com as construtoras e sua sede insaciável por terrenos. Consequentemente, comprometem a preservação da memória e identidade da cidade.

A imagem destacada (foto principal) mostra o que restou da fachada de um casarão derrubado na Avenida Manoel Borba.

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