Antes que Suma

Instalações do Colégio Americano Batista completam a 100 anos

Por Jota | 22 de maio de 2019

Se existe um conjunto de edificações em que cabe o adjetivo monumental é o patrimônio arquitetônico do Colégio Americano Batista.

As linhas clássicas, escadarias e colunas que marcam as fachadas foram inspiradas em prédios públicos e escolas norte-americanos.

Fundada em 1906 por missionários batistas ianques, a instituição teve seu primeiro prédio erguido 13 anos mais tarde, quando foi adquirida a chácara onde hoje funciona o colégio.

Inicialmente, as aulas aconteciam numa casa localizada ao lado da Primeira Igreja Batista do Recife (onde é hoje a Avenida Conde da Boa Vista). As informações são do site do CAB.

Isso significa dizer que as instalações do colégio, na Rua Dom Bosco, divisa da Boa Vista com Parque Amorim e Graças, estão completando 100 anos.

O conjunto, embora protegido por muro, pode ser apreciado por quem passa a pé, de ônibus ou mesmo de carro. Com térreo e primeiro andar, as principais construções acabam, ainda bem, ultrapassando o limite do paredão.

Com a grandiosidade do conjunto, a paisagem do Parque Amorim é, inevitavelmente, dominada pelos prédios que abrigam salas de aula e demais departamentos da instituição (somados ao vizinho templo da Igreja Batista da Capunga).

Ou seja, todo o complexo do CAB, desde a parte em que a fachada é voltada para a Dom Bosco até o trecho que se comunica com a Avenida Agamenon Magalhães é referência “geográfica” na cidade.

Enfim, para quem estudou e estuda ali e mesmo para quem apenas frequenta a área, o cenário composto pelas edificações, os vazios e as árvores que ocupam o imenso terreno é marca registrada daquele trecho do centro da cidade.

Mas não se trata apenas do aspecto visual – que tem a ver com composição de cenário. O conjunto se constituiu, ao longo destes cem anos, em elemento presente na memória afetiva de quem mora, trabalha ou somente circula por aquela região.

Isso tudo sem falar, obviamente, na contribuição para a educação de gerações de pernambucanos e de gente de estados vizinhos. Passaram pelos bancos escolares do CAB, entre outros, o sociólogo Gilberto Freyre e o escritor e dramaturgo Ariano Suassuna.

Um aspecto a ser destacado nesta história toda   é a sobrevivência do CAB diante das dificuldades inerentes a colégios tradicionais e religiosos.

Entre estes complicadores estão perda de alunos para escolas mais enxutas e “modernas”, inabilidade diante das mudanças do mercado e gastos para manter patrimônio dispendioso e, às vezes, ocioso.

Uma das saídas adotadas pelo CAB foi se associar a faculdade privada. Assim, deu utilização às instalações e ganhou fôlego.

A seguir, reprodução do conteúdo dedicado à história da instituição no site do CAB:

Em 1906, o missionário norte americano W.H. Canadá sentiu o desejo de contribuir para o desenvolvimento da Educação no Brasil. Pensando nisso, ele fundou uma escola para alfabetizar e educar crianças que não tinham condições financeiras de investir em estudos particulares. A escola começou a funcionar num casebre vizinho à primeira Igreja Batista do Recife, inicialmente com treze alunos. Assim começou o Colégio Americano Batista do Recife.

Passados treze anos, o então diretor da instituição, o missionário H.H. Muirhead, comprou uma chácara localizada no lugar que hoje conhecemos como Parque Amorim, onde foi instalado o colégio. O local era perfeito, devido à facilidade do percurso para quem morava em bairros como Boa Vista, Madalena, Encruzilhada, Casa Forte, Casa Amarela, dentre outros.

Depois da aquisição do terreno, veio a construção de seu primeiro edifício, que levaria o nome do professor Alfredo Freyre, antigo diretor do colégio e advogado que intermediou a compra da propriedade. A idéia original era que o prédio reproduzisse a fachada da Casa Branca, sede da presidência dos Estados Unidos.

Desde a sua criação, uma das marcas principais do Colégio Americano Batista é a inovação. A instituição foi a primeira a estender a educação ao Jardim da Infância e a ter turmas mistas (formada por meninos e meninas). Até hoje, o colégio alia a tradição da excelência no ensino com a aplicação de práticas pedagógicas modernas, que reforçam o aprendizado e estimulam os hábitos de leitura e de estudo. O colégio centenário sempre levou para as salas de aula criatividade na construção do conhecimento e caráter do cidadão, sempre evidenciando os princípios bíblicos defendidos desde a fundação.

Fora das quatro paredes, o CAB também é pioneiro. Em Pernambuco, foi o primeiro a formar uma equipe de voleibol, além de incentivar a prática esportiva no dia a dia. Há anos, o CAB promove o desenvolvimento artístico, intelectual, científico e esportivo dos alunos com atividades extracurriculares programadas ao longo do ano.

Com ousadia e determinação, o Colégio Americano Batista atravessou o século educando gerações, mantendo a educação de qualidade e os valores cristãos“.

 

Fotos são uma colaboração do leitor George Modesto