Antes que Suma

Rica em “casas-registros” do passado, Rua dos Médicis merece ser percorrida a pé

Por Jota | 4 de agosto de 2017

Ela fica “escondida” entre a Avenida Manoel Borba e a Rua Dom Bosco e não deve ter mais de 200 metros.

Rua dos Médicis, na Boa Vista, região central do Recife, mantém muito do passado do bairro.

Embora esteja cercada pelos espigões que começam a predominar na área, ainda conta com casas de preservadas.

Umas são moradias, outras estão ocupadas por organismos governamentais e ONGs e algumas estão vazias – e necessitadas de recuperação. 

Os estilos arquitetônicos são variados o que torna a caminhada pela via uma sequência de pequenas surpresas.

Uma passada pela rua é muito indicada para quem gosta de apreciar linhas, desenhos, tetos, janelas, terraços, portões e outros detalhes que revelam diversidade e riqueza de concepção de construções.

Há ainda jardins, árvores e flores e, como a grande maioria dos muros é baixa, observa-se uma evidente proximidade entre casas e a rua (e com quem passa nela).

Na Rua do Médicis ainda as edificações dialogam com a cidade. Este aspecto cada vez mais raro nestes tempos em que se derruba tudo e se ergue espigões que mais parecem fortalezas fechadas para a rua e voltadas apenas para si mesmas, torna a pequena via um “achado”.

Não sem razão, a rua acaba de servir de locação/cenário para as gravações da série Lama dos dias, que retrata em ficção o embrião do movimento musical que iria gerar o manguebeat e toda a efervescência artística que tomou conta do Recife naquele tempo.

 Por tudo o que desperta e representa, a Rua dos Médicis deve ser percorrida com calma e a pé. E, por ainda conter acervo arquitetônico e comportamental de décadas passadas, bem que merecia ser totalmente tombada.

O Antes que suma já tinha registrado casarão da rua em publicação que marcou estreia da seção Por dentro. Relembre:

“Invadimos” o incrível e bem preservado casarão da Gestos, na Rua dos Médicis