Antes que Suma

Irresistível Tupy, o mais charmoso residencial da Samuel Pinto

Por Jota | 15 de outubro de 2016

Pequenos prédios residenciais erguidos no Recife entre o início e os anos 1970 do século XX marcaram a mudança modo de se morar na cidade.

As casas foram ficando em segundo plano e os edifícios passaram a ocupar espaço definitivos na cidade.

Mas como naquele período o mercado e as demandas eram outros, a estética e o diálogo com a rua foram, em muitos casos preservados, o que revela uma arquitetura, digamos assim, sensível e humanizada.

Essa preciosa “herança” das casas é vista em alguns exemplares de pequenas edificações que se mantêm vivas em diversos bairros do Recife.

O exemplar enfocado neste post, o Tupy, é uma joia localizada na não menos preciosa Rua Samuel Pinto, na Boa Vista/Soledade.

Via sem saída, a Samuel Pinto é reduto de pequenos prédios e, até o início dos anos 2000, conferia um ar de bairro a este trecho situado em pleno centro da cidade.

O Tupy é, certamente, o exemplo mais vivo do diálogo dos prédios da Samuel Pinto com a rua e com a vida da cidade.

A construção tem três andares, as janelas e varandas são imensas, muro e grades são baixos e a entrada mantém azulejos e porta originais. Isso tudo “ornado” com lampiões e árvores lindas na porta.

O Tupy é mais um daqueles prédios que sobrevivem à especulação imobiliária que resulta da ganância do mercado somada à frouxidão do poder público, incluindo os órgãos que deveriam fiscalizar e lutar pela preservação.

Esse contexto, vale lembrar, fundamenta o roteiro do filme Aquarius, filme de Kléber Mendonça Filho (Veja AQUI e AQUI).

Valoroso documento arquitetônico, o Tupy bem que merece ser tombado e preservado.