Antes que Suma

Vazio e sem utilidade, casarão rosa “definha” na Gervásio Pires

Por Jota | 21 de outubro de 2018

Um casarão desocupado há anos na Rua Gervásio Pires, na Boa Vista, região central do Recife, tem sua beleza “roubada” dia após dia.

Maltratado pela ação do tempo, da desatenção e do descuido, virou um símbolo da inutilidade que pesa sobre muitas construções antigas no Recife.

Informações do mercado indicam que ele pertence a herdeiros da mesma família que é proprietária casas da Vila Santo Antônio – conjunto de residências do anos 40 situadas exatamente atrás do casarão, mas com entrada pela Rua do Riachuelo.

Acontece que, diferentemente das casas da vila, o casarão está vazio e sem funcionalidade. E não há placa de aluguel ou venda. Ou seja, o destino, ao que parece, é mesmo o desuso e, por consequência, o abandono e a deterioração.

Mesmo “desassistida” a edificação chama atenção pela beleza. Pintado num rosa já bem envelhecido, tem suas linhas arquitetônicas preservadas – embora seja possível ver vigas de madeira aparentemente escorando o teto da varanda lateral.

O ar de palacete cruza os anos e ainda agrada a quem gasta tempo a admirá-lo. É um dos casarões mais impressionantes da Boa Vista.

Desde o porão, passando pela escada que dá acesso ao terraço e à entrada principal até a platibanda ornamentada com adornos e “coroada” por uma pinha central (maior) e duas laterais, tudo é muito bonito.

O terraço frontal é protegido por balaustrada. A varanda lateral, coberta, é sustentado por imensas colunas.

Por sua vez, a porta principal e as imensas janelas contam com “molduras” que se somam a adornos que lembram conchas e ramalhetes.

O teto é uma “atração” à parte. Com duas águas, tem a linha do cume limitada por “minaretes” e enfeitada por uma série de pequenos elementos ornamentais confeccionados com o mesmo barro das telhas.

O estilo, pelo menos aparentemente, é eclético. Há traços traços neoclássicos que indicam que a casa foi erguida nos anos 1930.

Observado do lado esquerdo, a partir do terreno onde funciona um estacionamento, o casarão revela sua imensidão no pé direito gigante e nas muitas dependências situados ao fundo, ao pé de mangueiras.

Deve ter sido uma das residências mais luxuosas do centro. Nos anos 1990, se não me falha a memória sediou da Ação Católica Operária em Pernambuco.

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