Antes que Suma

Modificado e deteriorado, casarão marca o tempo no Largo da Paz

Por Jota | 16 de dezembro de 2017

A agitação do comércio, dos bancos, dos ambulantes, dos pedestres, da gente nos pontos de ônibus se contrapõe à falta de vida e à paralisação de casas e prédios antigos em Afogados, na Zona Oeste do Recife.

Embora seja uma região movimentada, o bairro conta,contraditoriamente, com um grande acervo de imóveis vazios e de escombros de construções antigas.

A realidade pode ser resultado da inexistência de políticas que valorizem e estimulem a preservação (e a atualização/modernização) de edificações do passado, associada à cultura de esvaziamento de áreas comerciais de bairros e do centro das cidades.

Tudo, claro, pensado e executado para levar clientes aos shoppings centers erguidos em áreas distantes como fortalezas de consumo e conforto.

No Largo da Paz, principal entrocamento e logradouro  de Afogados, um casarão com aspecto de chalé do final do século XIX resiste.

Invisibilizado pela correria, pela pressa e por agressões feitas no pavimento térreo, o pequeno prédio está lá como prova de que aquela área do Recife – bem próxima ao centro – tem história.

E, no sentido contrário à ordem de matar qualquer resquício de passado – com demolições, cerâmicas e porcelanatos – , a construção prolonga a memória do bairro.

No primeiro piso estão adornos, desenhos, detalhes que encantam. Do mesmo modo, as janelas, a porta com sacada em ferro e as aberturas (para passagens de luz e ar) com treliças de madeira impressionam.

No térreo, uma tragédia. A fachada foi completamente alterada e coberta com cerâmicas, para se “ajustar” às necessidades dos pontos comercias que abrigou. Como se não fosse possível ocupar parte (ou a totalidade) de um imóvel antigo sem promover agressões tão definitivas.

A loja não existe mais e, embora pareça vazio, o casarão tem morador. De acordo com comerciantes ambulantes que ganham a vida no Largo da Paz, um sobrinho do proprietário reside no térreo.

Não há placa de aluguel ou venda. Torce-se para que essa beleza seja restaurado, ocupado e mantenha viva o que resta da identidade de Afogados.

Leia mais sobre Afogados, sua formação e história AQUI (Fundação Joaquim Nabuco).