Antes que Suma

Casas demolidas na Rua da Angustura: saída de carros do que deve ser nova McDonalds

Por Jota | 3 de outubro de 2018

Até uns três ou quatro anos atrás a margem direita da Rua da Angustura, nos Aflitos, era formada predominantemente por casas. Existiam dois pequenos prédios com “cara” de meados do século XX, incluindo o da esquina com a Avenida Rosa e Silva, é só.

Até chegar à esquina com a rua que ladeia a Matriz do Espinheiro, era um desfile de casas lindas. Algumas ocupadas por empreendimentos comerciais e órgãos públicos e outras servindo de moradia.

Mas neste tempo  um empresarial gigantesco foi erguido no trecho – fazendo desaparecer antigas residências – e agora mais duas casas foram demolidas.

Segundo trabalhadores e moradores da área, as construções foram ao chão para possibilitar saída de carros de um empreendimento que será erguido na Avenida Rosa e Silva cujo terreno se comunica com a área onde existiam as casas.

O referido terreno resultou da demolição de um antigo casarão que era vizinho da sede do Incra. A derrubada foi registrada pelo Antes que suma, que, na época, já adiantava para a possibilidade de a área (imensa) ser tomada por um shopping center ou algo do gênero.

Relembre a publicação sobre a demolição do casarão citado:

Mais um casarão demolido na Avenida Rosa e Silva. Vem novo shopping por aí?

Pois bem as primeiras informações, ainda não confirmadas, indicam que o local receberá, muito provavelmente, mais uma franquia da rede de lanchonetes McDonalds.

A fachada seria voltada para a Rosa e Silva, onde ficaria a entrada. A ligação com Angustura garantiria a saída do empreendimento.

Há uma versão de que a McDonalds seria apenas um dos pilares de um complexo comercial.

As casas eram vizinhas, estavam desocupados há anos, mas não aparentavam estar deterioradas. Escondidas por trás de um muro alto, tinham primeiro andar e, por isso, era possível vê-las embelezando a rua.

Uma delas tinha características arquitetônicas europeias, com teto pontiagudo e adornos geométricos na fachada. A outra era ampla e contava com janelas generosas.

Informação repassada nesta terça-feira (02.10.18) leitor Túlio Couceiro apontava para a demolição. Nesta quarta-feira, quando o AQS chegou por lá, apenas o muro estava de pé.

Uma destas imensas máquinas mecanizadas encerrava o trabalho de derrubada. Em dois dias, memórias de décadas viraram escombro e poeira na Rua da Angustura. Em poucas horas a rua foi desfigurada.

Aliás, demolição de casas e pequenos prédios residenciais na Zona Norte e bairros do centro vem se intensificando destruindo a identidade do Recife num processo em que perdas se acumulam.

Ao se instalar espigões e empreendimentos comerciais em terrenos onde existiam casas, destrói-se árvores e áreas verdes, ocupa-se valiosos “respiradouros” que possibilitam passagem de ventos, acaba-se com o diálogo casa-arquitetura-rua, sobrecarrega-se a rede de esgotamento sanitário e precariza-se o trânsito, com a multiplicação de carros. Enfim, a qualidade de vida é comprometida.

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